Pela primeira vez, pesquisadores encontraram no Brasil pegadas de pterossauro, um tipo de réptil voador que viveu na mesma época que os dinossauros. A descoberta foi feita em rochas na região do interior de São Paulo, em pesquisa coordenada pelo professor doutor Marcelo Adorna Fernandes.
O achado revela a presença desses répteis voadores no ambiente de um grande paleodeserto que existiu há cerca de 135 milhões de anos.
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As pegadas bem preservadas foram recuperadas do conhecido sítio icnofossilífero do ouro, no município de Araraquara (SP). No local funcionava uma pedreira, hoje inativa, que fornecia material para a pavimentação de cidades do interior de São Paulo.
As marcas apresentam características únicas, como o apoio nos dedos dos membros dianteiros e o apoio na planta do pé dos membros traseiros. A descoberta é ainda mais significativa devido ao tamanho dos vestígios.
O animal que deixou as pegadas possuía uma altura de quadril de aproximadamente 59,72 cm, com uma estimativa de envergadura de asa superior a 2,5 m, sendo o maior registro desse icnogênero Pteraichnus em todo o mundo.
As lajes contendo as pegadas fósseis foram coletadas e estão agora em exposição permanente e gratuita no Museu da Ciência Prof. Mário Tolentino, em São Carlos (SP), permitindo ao público conhecer de perto este registro inédito na história natural do Brasil.
O professor Marcelo Adorna Fernandes ressalta que “a coleta foi um trabalho de resgate”. Ele complementa explicando o contexto da extração do material: “Embora a pedreira não esteja mais em atividade, ela forneceu lajes para o calçamento de vias públicas no interior de São Paulo por quase 100 anos. O trabalho de acompanhamento e coleta das lajes com pegadas fósseis foi realizado de forma quase semanal por mais de uma década.”
O especialista também destacou o valor histórico do material: “Inicialmente, as pegadas não eram valorizadas e os 'buracos' eram considerados defeitos nas lajes. Devido ao seu amplo uso na pavimentação, é possível, até hoje, caminhar pelas calçadas do interior paulista e encontrar muitas pegadas de dinossauros, o que proporciona um verdadeiro passeio ao início do Período Cretáceo.”