A Polícia Civil do Rio Grande do Sul desarticulou um grupo criminoso especializado no chamado “Golpe do Pai de Santo”, em uma operação deflagrada nesta quinta-feira (16) com apoio do Laboratório de Operações Cibernéticas do Ministério da Justiça.
O principal suspeito, que se apresentava falsamente como pai de santo, foi preso em Jacareí. Outros mandados foram cumpridos em Cotia e Itapevi, na Grande São Paulo.
Golpes.
As investigações apontam que a quadrilha atuava de forma coordenada pela internet, publicando anúncios em redes sociais com promessas de trabalhos espirituais de amarração amorosa, afastamento de rivais e prosperidade financeira.
As vítimas, geralmente em momentos de fragilidade emocional, eram convencidas a transferir quantias elevadas sob a promessa de resultados imediatos, e depois ameaçadas e extorquidas para realizar novos pagamentos.
Em um dos casos investigados, uma mulher perdeu R$ 184 mil após acreditar que os rituais trariam o parceiro de volta. Quando parou de enviar dinheiro, passou a ser ameaçada de exposição pública.
Em outra situação, os criminosos chegaram a exigir R$ 1,5 mil para a compra de um bode preto, supostamente necessário para concluir um ritual.
Para sustentar as fraudes, os golpistas enviavam prints falsificados de conversas com empresários e gerentes bancários, simulando credibilidade e poder financeiro.
Operação.
As investigações, iniciadas em junho deste ano, revelaram que o grupo movimentou mais de R$ 376 mil em poucos meses.
Além do falso pai de santo, outros quatro comparsas foram presos. A polícia identificou que os suspeitos utilizavam múltiplas contas bancárias para dificultar o rastreamento dos valores e dividir os lucros ilícitos entre os integrantes.
O delegado responsável destacou que a atuação conjunta entre os setores de investigação cibernética e inteligência financeira foi essencial para desmontar o esquema.
“Eles se aproveitavam da vulnerabilidade emocional das vítimas, manipulando-as com ameaças e promessas espirituais. A denúncia rápida foi fundamental para interromper o ciclo de fraudes”, afirmou a Polícia Civil em nota.