11 de julho de 2026
JULGAMENTO

Réu por matar fazendeiro e estuprar criança vai a júri no Vale

Por Xandu Alves | Lagoinha
| Tempo de leitura: 4 min
Divulgação/PC
Viatura da Polícia Civil na época da prisão do acusado

Acusado de matar um fazendeiro de 75 anos e de sequestrar e violentar uma menina de 11 anos no Vale do Paraíba, Edcarlos de Oliveira Rocha, de 53 anos, será julgado por um júri popular no Tribunal do Júri na próxima terça-feira (21), às 9h, no Fórum de São Luiz do Paraitinga.

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Os crimes aconteceram em 17 de fevereiro de 2023, em Lagoinha, resultando na morte de Bento Gordiano de Carvalho Neto, que tinha 75 anos na época. Edcarlos era ex-funcionário da vítima. Ele também é réu por sequestrar e violentar sexualmente a filha de Bento, que tinha 11 anos na ocasião.

Edcarlos foi denunciado pelo Ministério Público pelos crimes de homicídio qualificado (motivo fútil, meio cruel, recurso que impossibilitou a defesa da vítima e vítima maior de 60 anos), sequestro e cárcere privado por fins libidinosos, estupro, roubo e estupro de vulnerável, este por três vezes.

A denúncia foi recebida em 24 de abril de 2023, oportunidade em que foi mantida a prisão preventiva do acusado. “Diante da prova pericial e oral colhida, há lastro probatório suficiente para a pronúncia do acusado”, escreveu, na sentença, a juíza Ana Letícia Oliveira dos Santos.

Caso condenado, a pena poderá ultrapassar 100 anos de reclusão em regime fechado, conforme expectativa da acusação, que contará com o Escritório Bonafé & Bonafé Sociedade de Advogados como assistente de acusação, representando os interesses das vítimas e de seus familiares.

O início dos trabalhos do Tribunal do Júri está previsto para as 9h, podendo a sessão estender-se até o dia seguinte, em razão da complexidade dos fatos e do número de testemunhas arroladas.

A defesa de Edcarlos não foi localizada para comentar o assunto. O espaço segue aberto. Em defesa prévia, pediu o afastamento das qualificadoras do delito de homicídio e a absolvição sumária para outros crimes.

O crime.

De acordo com a denúncia do Ministério Público, sob o pretexto de conseguir emprego, Edcarlos se dirigiu à Fazenda Carvalho, em Lagoinha, em 17 de fevereiro de 2023. O local pertencia a Bento e sua família. Como já havia trabalhado no local, e era pessoa conhecida das vítimas, ele passou o dia com o fazendeiro, auxiliando nos serviços do sítio.

No início da noite, no mangueiro da fazenda, o denunciado se desentendeu com Bento, por questões de pagamentos anteriores, e, por motivo fútil, desferiu socos no rosto da vítima.

Ato contínuo, o denunciado atou os braços, boca e pescoço do idoso. Por meio cruel (espancamento, asfixia e golpes de faca) e com recurso que impossibilitou a defesa da vítima (amarras), agrediu-a mais vezes com socos na região da face e, mediante o emprego de uma faca, aplicou-lhe 11 golpes, que foram as causas efetivas da morte da vítima.

Após isso, Edcarlos foi à casa sede da fazenda e chamou a mulher de Bento, hoje com 56 anos. Ele disse a ela que seu marido havia caído no mangueiro e que precisava de ajuda para socorrê-lo.

Na sequência, Edcarlos conduziu a mulher até uma das residências existentes na propriedade, destinada aos empregados do local, que seria ocupada pelo próprio denunciado, sob o pretexto de que Bento estivesse em um dos cômodos da casa, deitado na cama, machucado.

A mulher se dirigiu ao local, utilizando a lanterna do celular para iluminar o caminho, e o denunciado foi atrás da vítima. Ao adentrarem no imóvel, Edcarlos segurou a mulher pelo pescoço e, com emprego de uma faca, obrigou-a a ingressar no cômodo escuro do imóvel, em silêncio. Ali, ele amarrou a vítima pelas mãos e pés, mantendo-a sob cárcere privado, para fins libidinosos – deu-lhe beijos lascivos em sua boca, conforme a denúncia.

Violência e prisão.

Antes de se retirar da casa, Edcarlos disse à vítima que voltaria para “dormir com ela”. Antes de deixar o local, ele subtraiu o celular da mulher. Edcarlos saiu da casa e retornou em seguida, circunstância em que flagrou a mulher tentando se soltar, o que o deixou extremante irritado. Ele amarrou a vítima novamente, com uma corda que possuía em sua mochila, deixando-a em cárcere privado, enquanto se dirigiu à sede da fazenda.

Ao chegar ao local, ele abordou a filha do fazendeiro, que na época tinha 11 anos. Com fins libidinosos, ele a sequestrou, levando-a consigo para fora da fazenda, até a propriedade vizinha. O homem manteve a criança mediante sequestro por aproximadamente quatro horas, causando “grave sofrimento moral”, além de violência sexual com a menina, por três vezes, embaixo de uma árvore.

Edcarlos foi preso uma semana depois do crime, após um cerco policial ser montado na cidade e região. Interrogado, ele confessou os fatos. Em abril de 2023, a Justiça havia determinado a prisão preventiva do réu até o julgamento. Além disso, o juiz solicitou a quebra de sigilo bancário do réu e de uma suposta namorada dele, suspeita de ter colaborado no crime.

"Não dormia à noite com pensamento de que ele poderia aparecer a qualquer momento para matar mais alguém ou se iria acabar naquilo mesmo", disse o filho do fazendeiro assassinado, em entrevista exclusiva a OVALE em 2023 (leia aqui).