11 de julho de 2026
TRAGÉDIA NA DUTRA

‘Dói todos os dias’, diz namorado de Jeniffer, jovem morta em SJC

Por Da redação | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
Jeniffer Keiser dos Santos, de 21 anos

"Dói todos os dias".
Após perder o amor de sua vida, Fernando Bueno cobra justiça. Namorado de Jeniffer Keiser dos Santos, de 21 anos, ele revive todos os dias o trágico momento em que perdeu a amada em um trágico acidente na Via Dutra, em São José dos Campos.

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O casal seguia de moto na noite de domingo (5) quando o veículo foi atingido por um carro em alta velocidade. Jeniffer, que estava na garupa, morreu ainda no local. Fernando ficou ferido, mas sobreviveu. O motorista fugiu sem prestar socorro e, até agora, não foi localizado.

“Dói todos os dias, muito. A gente só queria chegar em casa bem e com segurança. Ele acabou com nossa vida, com nossos sonhos, com tudo o que estávamos construindo juntos”, desabafa o jovem.

Os últimos momentos do casal

Segundo Fernando, os dois seguiam tranquilos, retornando para casa, quando decidiram ir com cautela pelo acostamento da rodovia. “Ela me abraçava e fazia carinho. Ali eu senti que estava com a mulher da minha vida. Estávamos felizes, cuidando um do outro”, lembrou a OVALE.

Tudo mudou em segundos. “Uma carreta freou na frente, e acendeu o pisca-alerta. Com medo de que algum carro viesse por trás e batesse na gente, sinalizei e fui para o acostamento. Estava tudo certo, até ouvir o som de pneus cantando, o farol vindo em alta velocidade e, de repente, o impacto”, relatou o rapaz.

Após o choque, Fernando foi arremessado e perdeu o contato com Jeniffer. “Quando percebi que ela não estava mais me segurando, levantei com dor e corri até ela. Comecei a gritar por ajuda, desesperado, pedindo para ela aguentar firme, porque o socorro estava chegando.”

Mas o pior já havia acontecido. “O motorista saiu do carro, olhou pra gente no chão, e mesmo assim foi embora. Fugiu. Deixou a gente ali. Sangue frio. Isso não é humano”, desabafou.

Justiça e impunidade

O caso foi registrado como homicídio culposo na direção de veículo automotor e fuga do local do acidente. A Polícia Civil apura a suspeita de que o motorista participava de um racha no momento da batida — uma das principais linhas de investigação.

Testemunhas afirmaram que o carro trafegava em alta velocidade, cortando faixas e ultrapassando outros veículos momentos antes do acidente. Após a colisão, ele teria abandonado o automóvel e fugido a pé, sem prestar qualquer tipo de socorro às vítimas.

“Quem faz isso sabe o que pode causar. Quando alguém dirige em alta velocidade no acostamento, cortando carros, está consciente do risco. E mesmo depois de ver o que fez, fugir é covardia”, afirmou Fernando.

Uma jovem cheia de sonhos

A história de Jeniffer comoveu São José. Carinhosa, estudiosa e sonhadora, ela era conhecida por todos pela alegria e pela força de vontade.

Nas redes sociais, a irmã da jovem, Janaína Keiser, publicou uma mensagem que emocionou a cidade. “As duas estrelas mais brilhantes do meu céu, cuida da nossa menina aí de cima, mãe.”

A frase faz referência à mãe das irmãs, morta em 2020 em um crime brutal. Desde então, Jeniffer saía pouco de casa. “Ela saiu pela segunda vez desde que a mamãe morreu. Saiu para oficializar o namoro e, na volta, aconteceu essa tragédia”, contou Janaína, em lágrimas.

Jeniffer era a sétima entre nove irmãos e deixou um filho de apenas 3 anos. Segundo familiares, ela havia sido aprovada recentemente em uma entrevista de emprego e sonhava cursar faculdade na área de necropsia.

“Ela tinha tantos planos. Era muito inteligente, dedicada e cheia de vida. Queria dar um futuro melhor para o filho e ajudar a família”, relembra a irmã.

A busca por justiça

O caso segue sob investigação da Polícia Civil de São José, que tenta identificar o motorista e esclarecer as circunstâncias da batida.

Familiares e amigos criaram uma campanha nas redes sociais para divulgar imagens do carro e cobrar respostas. Informações que possam ajudar nas investigações podem ser repassadas anonimamente pelos telefones 190 (Polícia Militar) e 181 (Disque Denúncia).

“A Jeniffer tinha uma vida inteira pela frente. Não queremos vingança, queremos justiça. Que ele seja encontrado e que ninguém mais passe por isso”, conclui a irmã, Janaína.