O ex-auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto, nascido em São José dos Campos e formado em 1º lugar pelo ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), é apontado pelo Ministério Público de São Paulo como uma peça central em um enredo de corrupção, dinheiro e sexo.
De acordo com o MP, Artur ocupava uma posição de destaque na chamada 'Máfia do ICMS', um esquema de corrupção que teria movimentado R$ 1 bilhão em propinas para fraudar créditos tributários em benefício de grandes empresas no estado de São Paulo.
Segundo a investigação, o ex-auditor seria "sugar daddy" de Francisco de Carvalho Neto, denunciado por lavagem de dinheiro e descrito como “sugar baby” de Artur - ele teria recebido R$ 5,1 milhões de Artur e usado parte do dinheiro para comprar o apartamento onde o fiscal vivia.
Intimidade.
Mensagens obtidas pelos investigadores indicam que o relacionamento entre os dois ia além dos negócios: Francisco seria o “sugar baby” do então auditor da Secretaria da Fazenda paulista, termo usado para descrever pessoas que mantêm relações afetivas em troca de benefícios financeiros ou materiais, como viagens, moradia e pagamento de despesas.
De acordo com a denúncia, 43 transações bancárias e três aquisições de imóveis foram utilizadas para lavar o dinheiro oriundo do esquema, que teria beneficiado empresas como a Fast Shop e a Ultrafarma.
Em agosto, a Operação Ícaro cumpriu mandados de busca e apreensão em dois endereços de Francisco, ambos em São Paulo. Durante a ação, ele afirmou às autoridades que era o “sugar baby” do ex-auditor, com “honorários” que chegavam a R$ 100 mil mensais.
Dinheiro.
As investigações apontam que os repasses a Francisco ocorreram entre fevereiro de 2023 e dezembro de 2024, por meio da empresa Smart Tax, registrada em nome de Kimio Mizukami da Silva, mãe de Artur, que também foi denunciada.
Dois imóveis adquiridos por Francisco teriam sido posteriormente transferidos para a Smart Tax, em tentativa de ocultar a origem dos recursos. Outro apartamento, localizado na Avenida Santo Amaro, zona sul da capital, está formalmente em nome de Francisco, mas e-mails interceptados mostram que pertencia de fato a Artur.
Trajetória.
Antes de se tornar um dos principais alvos da investigação, Artur tinha carreira de destaque: ex-aluno do ITA, foi 1º colocado de sua turma e atuou como auditor fiscal de alto escalão na Secretaria da Fazenda de São Paulo.
De acordo com o Gedec (Grupo Especial de Repressão a Delitos Econômicos), o ex-auditor teria recebido R$ 383,6 milhões em propinas entre 2021 e 2024. O dinheiro era disfarçado por meio da Smart Tax, que emitia notas fiscais frias de até R$ 1 bilhão para justificar pagamentos de empresas beneficiadas, como a Ultrafarma e a Fast Shop.
Corrupção.
A investigação do MP indica que Artur inflava e antecipava créditos tributários de ICMS, permitindo que empresas lucrassem de forma ilícita com a venda posterior desses créditos.
Além de Artur e Francisco, também foram denunciadas a mãe do ex-auditor e três funcionárias de confiança. O empresário Sidnei Oliveira, dono da Ultrafarma, chegou a ser preso durante as fases da Operação Ícaro.
O caso segue sob análise do Judiciário paulista e é considerado um dos maiores esquemas de corrupção tributária já identificados no estado.