Amor de pai e filha transformado em arte.
E, menos de 24 horas depois, sendo apagado com tinta vermelha.
O grafiteiro Ederson ESL, 41 anos, pintou o rosto da filha Lauane Vitória, de 13 anos, no muro de uma casa do Campo dos Alemães, na zona sul de São José dos Campos, no último domingo (5), em meio à criação de um mural coletivo ao lado de outros 40 artistas.
A ação contava com a permissão do proprietário do imóvel, mas o mural foi coberto pela prefeitura (leia aqui), com o uso de uma tinta vermelha.
A intenção do pai era que a filha, que passa pelo local para ir à escola, fosse surpreendida na manhã de segunda-feira (6), ao se ver retratada no muro. Ederson, que se dedica à arte urbana desde os 17 anos, informou que o sonho da filha era ter o rosto desenhado pelo pai.
Lauane, com orgulho, comenta com os colegas que o pai é artista e o grafite foi pensada para que ela pudesse compartilhar com os amigos.
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O artista finalizou o retrato durante a noite de domingo, utilizando mais de dez cores de tinta. Imediatamente fez uma chamada de vídeo para que a Lauane pudesse admirar o resultado, e a menina ficou emocionada. Porém, a alegria durou só algumas horas. Pela manhã, o retrato havia sido coberto pela tinta vermelha.
"Infelizmente, ela não chegou a ver, só conseguiu ver pelas fotos. Ela amou o desenho, mas ficou muito triste", lamentou Ederson.
Assim como ele, outros artistas tiveram suas criações encobertas e criticaram a iniciativa da prefeitura. Os grafiteiros ressaltam que tinham autorização do proprietário do muro e que o grafite é uma forma de arte reconhecida, que não se confunde com a pichação.
Em nota, a Prefeitura de São José dos Campos informou que agiu devido a uma solicitação via 156, que foi feita por um morador "denunciando a pichação". A intervenção foi justificada com base na Lei Municipal N° 9045, de 21 de Novembro de 2013 (Lei antipichação), alegando que "não há autorização para este tipo de serviço" conforme a lei.