O Sistema Cantareira, que abastece metade da população da região metropolitana de São Paulo, entrou na faixa de restrição nesta quarta-feira (1º), o que não ocorria desde janeiro de 2022.
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Com isso, a Sabesp só pode retirar do sistema até 23 metros cúbicos por segundo, quatro metros cúbicos a menos do que os 27 autorizados para setembro, quando o sistema estava na faixa de alerta.
A entrada em alerta fez a companhia de abastecimento bombear água da represa do Jaguari, que fica no Vale do Paraíba e faz parte da bacia do rio Paraíba do Sul.
Anunciada na semana passada, a medida visa garantir o fornecimento de água para as cerca de 10 milhões de pessoas que vivem na região metropolitana de São Paulo. Segundo a Sabesp, a interligação entre as represas amplia a segurança hídrica da Grande São Paulo.
No entanto, a retirada de água da represa do Jaguari preocupa ambientalistas e representantes do Comitê de Bacias do Rio Paraíba do Sul.
Segundo a ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento), a represa do Jaguari operava com 47% de volume útil nessa terça-feira (30), índice considerado adequado para o período do ano, com o final da estação mais seca.
Outras duas represas do Vale também estão com volume útil considerado adequado para o final do período de estiagem: Paraibuna tem 57% e Santa Branca registra 37,54%.
Já o Sistema Cantareira operava com 28,3% do volume útil, com variação diária negativa de 0,2%. A queda do volume de água se deve às chuvas abaixo da média nos últimos meses.
A entrada na faixa de restrição segue critérios definidos após a crise hídrica de 2014/2015. A norma estabelece limites de retirada de água de acordo com o volume acumulado no Sistema Cantareira, conferindo previsibilidade às condições operativas e maior segurança hídrica para a região metropolitana de São Paulo e para as bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ).
O sistema abastece cerca de 10 milhões de pessoas — metade da população da região metropolitana de São Paulo. Ele também contribui para o atendimento dos usos múltiplos da água, com destaque para o abastecimento de Campinas, nas bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí.
Ele é composto por cinco reservatórios interligados: Jaguari, Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro, com volume útil total de 981,56 bilhões de litros. Desde 2018, conta também com a interligação entre a represa do Jaguari (no rio Paraíba do Sul) e a represa Atibainha.
Apesar dos reservatórios do Sistema Cantareira ficarem em território paulista, ele recebe águas da bacia dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, de gestão da União. Por causa disso, a ANA compartilha com a SP Águas a gestão dos recursos hídricos do sistema.
Procurada pela reportagem, a Sabesp ainda não comentou sobre o risco de redução do nível de água da represa do Jaguari com a captação para o Sistema Cantareira. O espaço segue aberto.
* Com informações do portal UOL