O governo do prefeito Sérgio Victor (Novo) informou que irá manter ao menos até o fim desse ano um teto reduzido no número de famílias atendidas no programa de transferência de renda do município, o Cartão Mesa Taubaté.
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Até dezembro, pelo menos, esse teto será de 2.700 beneficiários, o que representa uma redução de mais de 1.000 atendidos no programa desde janeiro desse ano, quando teve início a atual administração.
Apesar do corte, o governo Sérgio nega que a medida tenha sido motivada por contenção de despesas (leia mais abaixo).
Pelo contrato vigente com a empresa responsável por fornecer os cartões, o número máximo é de 3.900 beneficiários por mês. Em dezembro de 2024, no último mês do governo do ex-prefeito José Saud (PP), eram 3.725 beneficiários. Esse patamar foi mantido em janeiro de 2025, no primeiro mês do governo Sérgio, quando 3.733 famílias foram atendidas.
Em fevereiro, houve uma queda brusca para 2.785 beneficiários. Em março, nova redução, para 2.368. O patamar foi mantido para abril, com 2.382 famílias atendidas. Desde maio, é aplicado o teto de 2.700. Segundo a Prefeitura, esse será o número de famílias atendidas até dezembro.
Os créditos são repassados aos cartões até o quinto dia útil de cada mês. Em 2022, quando o programa foi criado, o valor era de R$ 129. Em 2023, passou para R$ 179. E desde março de 2024 está em R$ 188. A lei que criou o Cartão Mesa Taubaté estabelece reajuste mensal do valor, mas o governo Sérgio não fez essa revisão em 2025.
Questionada pela reportagem sobre o teto reduzido de famílias beneficiadas no programa, a Prefeitura alegou que "a quantidade fixada em 2.700 cartões considera o atendimento às famílias em vulnerabilidade".
A Prefeitura afirmou ainda que "segue em avaliação criteriosa e até dezembro irá verificar a necessidade de ampliação ou redução na concessão do cartão".
A Prefeitura argumentou também que "a medida não está relacionada à contenção de despesas". "Trata-se de um estudo que cruza dados do Cadastro Único, das famílias que recebem o auxílio Bolsa Família e avaliação por assistentes sociais, pelo Cras [Centro de Referência de Assistência Social], que mantém acompanhamento constante das famílias sem auxílio ou ainda que já assistidas se mantém em situação de vulnerabilidade social".
Em abril, o jornal mostrou que, de janeiro a março, houve uma redução de 36% no número de famílias atendidas no programa.
Na ocasião, em entrevista a OVALE, o secretário de Desenvolvimento e Inclusão Social, Marco Antônio Tolomio, disse que a medida visava permitir que o programa priorizasse famílias em situação de extrema vulnerabilidade social, mas distorceu trechos da legislação municipal para justificar a exclusão de beneficiários.
Também em abril, a Câmara promoveu uma audiência pública para debater os cortes. Na ocasião, vereadores que não integram a base aliada ao prefeito criticaram o governo pela redução no número de beneficiários no programa.