11 de julho de 2026
FEIRA LITERÁRIA

Alegando censura, curadoras deixam Flim após veto a Milly Lacombe

Por Da Redação | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 2 min
Vitor Chambon/Divulgação
Milly Lacombe

As curadoras da Flim (Festa Litero Musical), de São José dos Campos, alegaram censura e anunciaram na noite desta terça-feira (16), a saída da feira. Assim, elas retiram os trabalhos por conta da polêmica envolvendo a jornalista e escritora Milly Lacombe.

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Ela era uma das convidadas da Flim, mas a participação dela foi cancelada no início da tarde desta terça, pelo prefeito Anderson Farias (PSD). O motivo foi uma declaração em um podcast no meio do ano, onde criticou as famílias tradicionais.

“É com muita indignação e revolta que nós, curadoras da 11ª Festa Litero Musical de São José dos Campos – FLIM, comunicamos a nossa retirada da curadoria da festa que estava prevista para iniciar nesta sexta-feira, dia 19 de setembro”, escreveu Bianca Mantovani, uma das curadoras, através das redes sociais.

“Após termos nos dedicado por um ano à pesquisa, à leitura e reuniões com um mergulho no tema ‘Eu sou porque nós somos’, fomos surpreendidas com a censura à presença de uma de nossas convidadas para a mesa de abertura”, disse o grupo das curadoras em nota no Instagram.

“Justamente em uma edição que propusemos discutir a alteridade, a convivência com o outro e a importância do fazer coletivo, uma decisão arbitrária inviabiliza a nossa continuidade no projeto. Enquanto trabalhadoras da cultura que prezam pelo diálogo, pelo pensamento crítico e escuta ativa, nos sentimos desrespeitadas com essa decisão e decidimos, coletivamente, por encerrar nossa participação no festival”, seguiu o documento, que também teve assinatura de Alice Penna e Costa e Tania Rivitti, curadoras, e Bruna Fernanda, assistente de curadoria.

Posicionamento

Após confirmar o cancelamento da participação de Milly, Anderson disse que a medida foi tomada em razão de declarações da escritora em um podcast, nas quais criticou a chamada “família tradicional, branca e conservadora”, associando-a ao fascismo. Para o prefeito, não é aceitável que um espaço público e financiado com recursos municipais seja usado para esse tipo de manifestação.

Por meio de nota, a AFAC confirmou também nesta terça o cancelamento da participação de Milly na Flim, afirmando que ele ocorreu "em comum acordo com a convidada". Segundo a nota, o objetivo foi "preservar a integridade de todos os envolvidos" -- questionada, a AFAC não detalhou essa afirmação. Veja a nota:

"Ao longo de 10 edições, a FLIM se consolidou como o maior evento literomusical do Vale do Paraíba e um dos principais do interior paulista.

Além de promover a arte e a cultura, o evento reforça seu papel como agente da economia criativa, gerando impacto positivo no comércio local e atraindo milhares de visitantes.

Em decisão tomada em comum acordo com a convidada, objetivando preservar a integridade de todos os envolvidos, a AFAC confirma o cancelamento da presença da Milly Lacombe.

A Associação reitera que não compactua com manifestações que não estejam ligadas à atividade fim do evento, que é a promoção da cultura, da música e da literatura".