11 de julho de 2026
VETO NA FLIM

Milly: 'Cultura de SJC não será palco político', diz Anderson

Por Da redação | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 4 min
Reprodução

O prefeito de São José dos Campos, Anderson Farias (PSD), afirmou nesta semana que a cultura da cidade “não será usada como palanque político-ideológico”. A declaração foi feita após a polêmica decisão de cancelar a participação da jornalista e ativista Milly Lacombe na Flim (Festa Litero Musical), marcada para este mês no Parque Vicentina Aranha.

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Segundo Anderson, a medida foi tomada em razão de declarações da escritora em um podcast, nas quais criticou a chamada “família tradicional, branca e conservadora”, associando-a ao fascismo. Para o prefeito, não é aceitável que um espaço público e financiado com recursos municipais seja usado para esse tipo de manifestação.

“Quero ser claro: a apresentação da ativista Milly Lacombe em São José foi cancelada. Cultura deve unir, não dividir. Nossos espaços não serão usados como palanque contra a família e valores da cidade. Já fiz isso no passado, quando cancelei o cachê da Maria Gadu por ter pedido voto para um candidato à presidência da República num evento público, pago com verba pública, realizado num parque público. E farei isso quantas vezes forem necessárias. A cultura em São José não é e nunca será palco político-ideológico”, afirmou Anderson, em post nas redes sociais.

Polêmica.

O cancelamento foi anunciado em vídeo divulgado pelo vereador Zé Luís (PSD). No sábado, o prefeito disse ter procurado a AFAC (Associação para o Fomento da Arte e da Cultura), organização social responsável pela gestão do Vicentina Aranha, e que a decisão foi tomada em conjunto.

A polêmica gerou reações imediatas. Parlamentares conservadores, como os vereadores Thomaz Henrique e José Luiz, além da deputada estadual Letícia Aguiar (PL), apoiaram a decisão de Anderson e criticaram a inclusão de Milly no evento. Já nas redes sociais, moradores e internautas se dividiram. Houve quem acusasse a prefeitura de censura e violação à liberdade de expressão, enquanto outros elogiaram a decisão, afirmando que ela preserva os “valores cristãos e da família”.

Milly Lacombe participaria da Flim no dia 19 de setembro, às 19h, em um debate com os escritores Xico Sá e Luiz Silva, o Cuti, sobre o tema “Os outros no Brasil ontem e hoje”. O encontro já havia sido divulgado nas redes da feira e estava confirmado após reunião virtual com a organização.

Flim.

Por meio de nota, a AFAC confirmou o cancelamento da participação de Milly na Flim, afirmando que ele ocorreu "em comum acordo com a convidada". Segundo a nota, o objetivo foi "preservar a integridade de todos os envolvidos" -- questionada, a AFAC não detalhou essa afirmação. Veja a nota:

"Ao longo de 10 edições, a FLIM se consolidou como o maior evento literomusical do Vale do Paraíba e um dos principais do interior paulista.

Além de promover a arte e a cultura, o evento reforça seu papel como agente da economia criativa, gerando impacto positivo no comércio local e atraindo milhares de visitantes.

Em decisão tomada em comum acordo com a convidada, objetivando preservar a integridade de todos os envolvidos, a AFAC confirma o cancelamento da presença da Milly Lacombe.

A Associação reitera que não compactua com manifestações que não estejam ligadas à atividade fim do evento, que é a promoção da cultura, da música e da literatura".

Repercussão nas redes sociais

A decisão movimentou os perfis de moradores e leitores em grupos locais. Alguns defenderam a posição do prefeito: “Parabéns por proibir a vinda dessa mulher aqui para palestrar contra os valores cristãos da família”, escreveu Vilani Bessa. “O prefeito está corretíssimo”, disse Denise Marcelino de Paula.

Outros criticaram o cancelamento, classificando-o como censura: “Inacreditável. Que gente antidemocrática”, comentou Tathiana Gomes. “Liberdade de expressão, pra eles, só existe quando as pessoas falam o que eles querem ouvir. Democracia é conviver também com opiniões divergentes”, publicou Gislele Truzzi.

Lei Maria Gadu.

Em 2022, Anderson sancionou a lei que proíbe “manifestações de cunho eleitoral com apoio explícito a um partido político ou candidato” por parte de artistas contratados para atuar em eventos e shows custeados com verba pública no município.

A aprovação aconteceu naquele mesmo ano, após o episódio em que Maria Gadu estendeu no palco, durante um show em São José, uma toalha com a imagem do então ex-presidente Lula (PT), que disputava as eleições.

O evento foi realizado no Parque Vicentina Aranha pela entidade gastora do local, a Afac, que contou com recursos financeiros da Prefeitura e de leis de incentivo fiscal de promoção à cultura.

Após críticas do prefeito, que classificou o caso como um "showmício", que é uma prática proibida pela legislação eleitoral, a Afac anunciou que suspendeu o pagamento à cantora.