De joelhos e chorando, o motorista de aplicativo Carlos Eduardo de Faria César, de 23 anos, implorou por sua vida antes de ser executado pelos criminosos, com três tiros - um deles na nuca e outros dois nas axilas.
A morte brutal do jovem, de São José dos Campos, chocou o Vale do Paraíba. O relato dos últimos momentos de Carlos Eduardo, descrito pela família como um "menino de ouro", foi feita à polícia por um dos envolvidos no roubo seguido de morte.
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O corpo de Carlos Eduardo foi sepultado na manhã desta segunda-feira (8), no Cemitério Padre Rodolfo Komorek, em São José, sob forte comoção de familiares e amigos, que preferiram não dar entrevistas.
Horas antes do enterro, motoristas de aplicativo organizaram uma manifestação pelas ruas da cidade em homenagem ao colega morto. O ato também teve como objetivo cobrar mais proteção para a categoria, que sofre com o aumento da violência durante corridas.
Carlos Eduardo havia desaparecido na noite de sexta-feira (5), após sair de casa para trabalhar dirigindo um VW Polo preto. Ele costumava enviar a sua localização para os pais, para que eles não ficassem preocupados. No entanto, após às 19h, ele não fez mais contato e não respondeu os telefonemas.
No sábado (6), sua família registrou o desaparecimento e a Polícia Civil iniciou as buscas.
Logo surgiram sinais de que ele havia sido vítima de crime, depois que o banco detectou uma movimentação suspeita de R$ 600 via Pix em sua conta. O rastreamento do dinheiro levou à identificação de dois homens.
No domingo (7), Clayton Luiz Moreira Júnior, de 19 anos, foi preso em flagrante em uma adega no bairro Bosque dos Eucaliptos.
Em depoimento, Clayton confessou ter participado do crime e relatou que ele e o comparsa renderam Carlos durante uma corrida. O jovem teria sido morto porque reconheceu o endereço dos criminosos.
Segundo a versão apresentada à polícia, o motorista foi levado até uma área de mata em Jacareí, onde foi obrigado a se ajoelhar. Mesmo chorando e pedindo para viver, foi alvejado com três tiros — um deles na nuca.
Relatórios da polícia mostram que, na madrugada de sábado, câmeras de segurança do CSI registraram o veículo da vítima circulando por 15 pontos diferentes da cidade, sendo o último às 5h19 no Residencial União.
O carro foi encontrado abandonado, e o corpo do motorista localizado depois em uma área de mata no bairro Pagador Andrade, em Jacareí, a cerca de 25 km de distância.
Clayton passou por audiência de custódia nesta segunda-feira, e a Justiça decidiu manter sua prisão preventiva. O segundo suspeito já foi identificado, mas segue foragido. Ele possui mandado de prisão em aberto desde julho por furto, com pena de três anos, e agora também deve responder pelo crime de latrocínio.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil.