11 de julho de 2026
INCÊNDIO EM ABRIGO

Preso por fogo em abrigo que matou 4, Leandro segue detido em SJC

Por Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação / CB
Bombeiros atuando no incêndio ao abrigo de São José

Preso por ter iniciado o incêndio que matou quatro pessoas no abrigo da Comunidade Consoladora dos Aflitos, na região central de São José dos Campos, em 10 de março, Leandro Rangel Vilela, 42 anos, segue detido em unidade prisional da cidade, na região sudeste do município -- CDP de São José dos Campos. A informação é da direção do abrigo.

Clique aqui para fazer parte da comunidade de OVALE no WhatsApp e receber notícias em primeira mão. E clique aqui para participar também do canal de OVALE no WhatsApp.

Fundadora e presidente da obra social, Andréa Holanda Laporta disse que gostaria de conversar com Leandro, um dependente químico que já havia sido atendido pela comunidade. “Não consegui falar com ele, mas será difícil conseguir essa autorização. Eu gostaria muito de conversar com ele”.

Segundo ela, Leandro era conhecido da comunidade e já tinha passado por várias internações, mas relutava em deixar o uso de drogas, o que impediu sua permanência no abrigo na véspera do incêndio.

“Ele foi internado várias vezes, mas não podia entrar na casa. Ele ficou uma semana e continuou indo almoçar. Só que ele ia pegar comida drogado, e falei para ele que não queria ele drogado dentro da casa. Há muitos doentes que não conseguem andar e acabaram de sair da drogadição, e ver alguém como o Leandro não ia fazer bem para eles. Leandro me chamava de mãe, mas estava usando drogas”, disse Andréa.

Mortes.

Das 22 pessoas que estavam no abrigo no momento do incêndio, no dia 10 de março, 18 foram salvas com vida. Momentos depois do fogo, a Polícia Militar prendeu Leandro, que confessou o crime. Ele iniciou o fogo em um sofá que estava em uma área de bazar da entidade, ao lado da casa principal. O fogo se alastrou e atingiu todo o imóvel.

Morreram no incêndio quatro moradores do abrigo: Márcia Aparecida e Hélio Gonçalves, ambos de 60 anos, Moisés Felipe, de 47 anos, e Regiane Soares, de 43 anos. Os corpos foram velados e enterrados no dia 15 de março, no Cemitério Colônia Paraíso (Morumbi), no Residencial Gazzo, na zona sul da cidade.

Houve uma celebração religiosa presidida por dom Antônio Carlos Altieri, arcebispo emérito da Arquidiocese de Passo Fundo (RS), além do diácono Jovino Rezende Neto, da Diocese de São José, e cantores.

Na avaliação de Andréa, Leandro não teria tido a intenção de colocar fogo na casa, mas apenas no sofá e passar o recado de que estaria “bravo” por não poder ter ficado na comunidade.

“Gostaria de conversar com ele depois que foi preso. Tenho certeza de que ele está arrependido. Ele colocou fogo no sofá para passar o recado de que estava bravo com a gente. Ele gostava das pessoas que estavam lá dentro”, afirmou a fundadora.

“Não consigo me arrepender de ter cuidado do Leandro. Temos que estender a mão e cabe a Deus julgar. Não julgo ninguém. O ensinamento [da tragédia] para ele, para nós, mesmo diante de tudo isso, é que não vamos poder parar de ajudar a todos que pedem. Já ajudei moradores de rua que nunca mais usaram nada e estão ajudando a comunidade. Não é porque um errou que vou deixar de ajudar as pessoas”, disse Andréa.