Fé, confiança e amor.
Esses foram os ingredientes da fórmula de esperança que nutriu o coração e a vida da policial militar Tatiane Pereira neste último ano.
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A última terça-feira (25) marcou uma data inesquecível na vida dela, mas pelos piores motivos. Há um ano, ela quase perdeu o marido e amor da sua vida, Carlos Magno, capitão da Polícia Militar Ambiental na RMVale.
No final da tarde de 25 de março de 2024, Magno estava em uma viatura da corporação que capotou na Rodovia Carvalho Pinto, quando voltava de São Paulo. Na ocasião, o policial era comandante da 3ª Cia. do Policiamento Ambiental e responsável pelo Litoral Norte.
O veículo de Magno saiu da pista, capotou e o militar foi arremessado para fora do carro. Com a gravidade dos ferimentos, ele foi levado pelo helicóptero Águia da Polícia Militar até o pronto-socorro do Hospital Municipal de São José dos Campos.
Em um longo texto publicado nas redes sociais nesta semana, Tatiane lembra como foram os primeiros minutos após o acidente, que ela chama de “pior dia da minha vida”. Ela narra a falta de informações exatas do que havia acontecido com o marido e a disposição de ir até a rodovia e descobrir tudo sobre o acidente.
Após algumas horas desesperadoras, ela chegou ao Hospital Municipal de São José e recebeu o dramático prognóstico médico sobre o marido. Magno estava em estado gravíssimo, em coma e com iminente risco de vida. Ele tinha diversas e graves lesões pelo corpo, incluindo traumatismo crânio-encefálico, diversos arcos costais quebrados e hemorragia interna no abdômen.
“Não sentia o chão embaixo dos meus pés, literalmente. Não tenho palavras para descrever esse sentimento, só sei que é ruim demais. A impressão é que a cada passo, algum será em falso ou que a perna não sustentará o peso do corpo. É horrível”, escreveu Tatiane sobre aquele momento no hospital.
“Momento esse que comecei a esmorecer, onde algumas pessoas perceberam e me chamam para tomar um ar, fora do hospital, pois eu não conseguia ter o controle do meu choro nem sequer encontrava mais forças nem sequer para me manter em pé.”
A policial militar lembrar as cirurgias pelas quais Magno passou, a retirada do baço e a transferência para a UTI (Unidade de Terapia Intensiva), onde ele lutou pela vida por vários dias.
Foi ali também que Tatiane conseguiu falar pela primeira vez com o amado depois do acidente. Como ela conta no relato emocionado.
“Você estava um tanto sonolento, devido às medicações, mas com um tantinho de insistência da minha parte consegui te despertar e ouvir a tua voz bem baixinha, que quase não dava para se ouvir, sendo possível somente ouvir duas coisas: a primeira foi seu pedido de água e a segunda, quando perguntado quem era eu, você respondeu: ‘Mesmo com a visão turva, és a mulher mais chata que eu tanto amo’”, escreve Tatiane.
“Foi o bastante para eu sair daquele lugar saltitante, mega feliz, super-reluzente, pois o lugar onde há dias era de luta e muito choro, de muita aflição de alma, agora estava sendo palco de milagres, de demonstração de muita fé e amor”, conta.
Sobre os dias de UTI, a policial militar diz que guardou um detalhe muito específico, o barulho dos equipamentos: “O que mais me marcou na UTI, além de sua aparência? Não consigo esquecer o som dos aparelhos da UTI, eles não saem da minha cabeça”.
“E assim, se passaram 10 dias na UTI. Você em coma, com notícias de pequenas melhoras e algumas pioras consideradas, em dias de muito choro e saudade, e em todas as visitas, havia muita oração de coração sincero bem como entoava hinos ao Senhor dentro daquela UTI”, lembra a mulher.
Após 24 dias internado, Magno saiu do hospital e começou a recuperação com sessões de fisioterapia e hidroginástica, especialmente. Para Tatiane, a fé nunca abandonou o casal e foi vital para a recuperação do marido.
“Quando Deus está no negócio, a sentença de morte vira vida, e vida em abundância, se recuperando em tempo recorde, desafiando todos os palpites humanos”, diz ela.
“Esse último ano não podemos dizer que foi o melhor ou o mais fácil, evidentemente, foi o contrário, pois vivenciamos uma das mais dolorosas experiências, e ainda estamos enfrentando um dos mais dolorosos processos, mas não posso ser ingrata com minha família nem envergonhar meus ‘camaradas’, pois foram deles que tiramos força e obtivemos a ajuda necessária, seja financeira, emocional, espiritual”, reconhece a policial militar.
Um ano após acidente, Tatiane conta que o marido está ao lado dela e dos filhos, “cheio de saúde e trabalhando”. “Coisa que muitos achavam impossível, seu retorno para a Polícia Militar”, diz ela. “Mas graças ao trabalho incessante da Dr.ª Nicolle, maravilinda fisio de nossos corações, e da lindona Dr.ª Grazielle, tanto na fisio quanto na hidroterapia, que nos acompanhou em tudo e mais um pouco”.
No final do texto, Tatiane faz uma reflexão sobre o acidente com o marido e o ano que passou. “Não quero comemorar um aniversário, como muitos propuseram, mas quero sim, agradecer a Deus Pai por não ter nos desamparado em momento algum durante todo esse processo (sempre colocando pessoas maravilhosas e magníficas em nossos caminhos), além de realizar um dos maiores milagres, para não dizer o maior, de nossas vidas e de nossa família, demonstrando toda sua compaixão, amor, e misericórdia para conosco”, escreve a policial.