08 de julho de 2026
BRASIL&

Comprou maconha, não recebeu e chamou a polícia

Por Da Redação | Goiânia
| Tempo de leitura: 1 min
Pixabay
Polícia foi acionada por usuário

Um usuário de drogas procurou a Central Geral de Flagrantes da Polícia Civil de Goiânia para relatar um golpe incomum: após pagar R$ 210 por 30 gramas de maconha, o traficante desapareceu sem entregar a droga. O caso, classificado como atípico pelo delegado plantonista Humberto Teófilo, expõe contradições legais e levou a uma discussão sobre a aplicação da "boa-fé" em transações ilícitas.

Clique aqui para fazer parte da comunidade de OVALE no WhatsApp e receber notícias em primeira mão. E clique aqui para participar também do canal de OVALE no WhatsApp.

Segundo o relato do homem, o vendedor parou de responder no WhatsApp após receber o valor combinado. O usuário argumentou que, embora o tráfico seja crime, o consumo pessoal foi descriminalizado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) em 2015. Ele alegou ainda que outros compradores teriam sido enganados da mesma forma e pediu ação das autoridades, sustentando que acordos ilegais também deveriam seguir "princípios de confiança".

O delegado Humberto Teófilo, no entanto, alertou que a denúncia pode se voltar contra o próprio denunciante. "A venda de drogas é tipificada como tráfico, crime previsto no Código Penal. Não há como investigar suposto estelionato em um contexto ilegal", explicou. O homem ainda tentou justificar a compra citando fins medicinais, mas Teófilo rebateu: "Há canais legais para obter substâncias terapêuticas, com prescrição e regulamentação".

A ocorrência foi registrada, mas deve ser arquivada por ausência de base legal. O delegado ressaltou que o autor da queixa pode responder por falsa comunicação de crime caso insista na narrativa. O episódio ilustra os dilemas jurídicos em torno da política de drogas no Brasil, onde o consumo é tolerado, mas o mercado permanece na clandestinidade.