Preso por ter iniciado o fogo que destruiu o abrigo da Comunidade Consoladora dos Aflitos, na região central de São José dos Campos, matando quatro pessoas e ferindo outras nove, Leandro Rangel Vilela, de 42 anos, era frequentador do local e conhecido da direção e dos moradores.
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Segundo a fundadora e presidente da obra social, Andréa Holanda Laporta, ele era conhecido da comunidade e já tinha passado por várias internações, mas relutava em deixar o uso de drogas, o que impedia sua permanência no abrigo.
“Ele foi internado várias vezes, mas não podia entrar na casa. Ele ficou uma semana e continuou indo almoçar. Só que ele ia pegar comida drogado, e falei para ele que não queria ele drogado dentro da casa. Há muitos doentes que não conseguem andar e acabaram de sair da drogadição, e ver alguém como o Leandro não ia fazer bem para eles. Leandro me chamava de mãe, mas estava usando drogas”, disse Andréa.
Morreram no incêndio quatro moradores do abrigo: Márcia Aparecida e Hélio Gonçalves, ambos de 60 anos, Moisés Felipe, de 47 anos, e Regiane Soares, de 43 anos. Os corpos serão velados e enterrados neste sábado (15), a partir de 13h, no Cemitério Colônia Paraíso (Morumbi), no Residencial Gazzo, na zona sul da cidade.
Haverá uma celebração religiosa presidida por dom Antônio Carlos Altieri, arcebispo emérito da Arquidiocese de Passo Fundo (RS), além do diácono Jovino Rezende Neto, da Diocese de São José, e cantores.
Na avaliação de Andréa, Leandro não teria tido a intenção de colocar fogo na casa, mas apenas no sofá e passar o recado de que estaria “bravo” por não poder ter ficado na comunidade.
“Gostaria de conversar com ele depois que foi preso. Tenho certeza de que ele está arrependido. Ele colocou fogo no sofá para passar o recado de que estava bravo com a gente. Ele gostava das pessoas que estavam lá dentro”, afirmou a fundadora.
“Não consigo me arrepender de ter cuidado do Leandro. Temos que estender a mão e cabe a Deus julgar. Não julgo ninguém. O ensinamento [da tragédia] para ele, para nós, mesmo diante de tudo isso, é que não vamos poder parar de ajudar a todos que pedem. Já ajudei moradores de rua que nunca mais usaram nada e estão ajudando a comunidade. Não é porque um errou que vou deixar de ajudar as pessoas”, disse Andréa.