As quatro vítimas da tragédia no abrigo da Comunidade Consoladora dos Aflitos, na região central de São José dos Campos, serão veladas e sepultadas neste sábado (15).
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Elas foram mortas no incêndio que destruiu o abrigo na madrugada da última segunda-feira (10). Outras nove pessoas ficaram feridas.
Os corpos serão velados e sepultados no Cemitério Colônia Paraíso (Morumbi), no Residencial Gazzo, na zona sul da cidade. A cerimônia começa às 13h e segue até 16h.
Haverá uma celebração religiosa presidida por dom Antônio Carlos Altieri, arcebispo emérito da Arquidiocese de Passo Fundo (RS), além do diácono Jovino Rezende Neto, da Diocese de São José, e cantores.
Morreram no incêndio Márcia Aparecida e Hélio Gonçalves, ambos de 60 anos, Moisés Felipe, de 47 anos, e Regiane Soares, de 43 anos. Todos moravam na casa há mais de um ano e tinham problemas de saúde – a comunidade atende pessoas abandonadas e com doenças. No momento do incêndio, as duas mulheres estavam no térreo e os homens no andar superior da casa.
“Todos eles tinham problemas e a comunidade era um acolhimento para eles, uma família. Muita gente que está conosco já passou por drogadição e situação de rua e hoje colabora com a gente”, disse Andréa Holanda Laporta, fundadora e presidente da Comunidade Consolo dos Aflitos.
Márcia Aparecida tinha problemas de saúde mental e sempre precisou de cuidados da família. Ela estava há cerca de três anos na comunidade. Foi trazida por um irmão. Ela não se comunicava e não tinha entendimento da realidade.
Regiane Soares era moradora de rua e usuária de drogas. Tinha filhos, mas não cuidava deles. Também tinha uma irmã. Ela estava há um ano na casa após alta de um hospital de Jacareí, onde havia ficado por dois anos sem que ninguém fosse buscá-la.
Moisés Felipe também era morador de rua e usuário de drogas. Ele estava na comunidade havia três anos. Não falava e tinha dificuldade para andar.
Também usuário de drogas, Hélio Gonçalves tinha filhos, ex-esposa, mas vivia a situação e o drama da drogadição.
Das 22 pessoas que estavam no abrigo no momento do incêndio, 18 foram salvas com vida. Momentos depois do fogo, a Polícia Militar prendeu Leandro Rangel Vilela, de 42 anos, que confessou o crime. Ele também foi reconhecido por testemunhas.
Várias vezes atendido pela comunidade, Leandro colocou fogo no sofá de um bazar que fica ao lado do abrigo. O fogo se alastrou e atingiu todo o imóvel de dois pavimentos. O autor vai responder pelos crimes de incêndio doloso, homicídio qualificado consumado e tentativa de homicídio qualificado.
“Não consigo me arrepender de ter cuidado do Leandro. Temos que estender a mão a quem precisa e cabe a Deus julgar. Não julgo ninguém”, disse Andréa. “Leandro era atendido pela comunidade e me chamava de mãe”.
Segundo a fundadora, os moradores que sobreviveram ao incêndio foram realocados no outro abrigo da comunidade, na avenida Adhemar de Barros, ou em comunidades religiosas que estão ajudando a obra social.