O árbitro Otto Cruz Hengstmam, que apitou a vitória do São José por 3 a 0 fora de casa sobre a Portuguesa Santista na noite de quinta-feira (20), confirmou na súmula após a partida que encerrou o confronto após acusação de racismo contra o goleiro Tom Cristian, do time da casa.
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Na oportunidade, o São José marcou o terceiro gol aos 30 minutos e a partida reiniciou. Instantes depois, o goleiro procurou o árbitro, os jogadores foram até o alambrando e, até então, não se sabia o que havia acontecido.
Na súmula, o árbitro diz que, aos 76 minutos (31 do segundo tempo), foi informado pelo goleiro Tom Cristian sobre os insultos racistas, vindos da própria torcida.
“Segundo o relato do goleiro, foram proferidas as seguintes palavras: ‘Macaco!’, ‘Filho da puta!’ e ‘Preto!’. O goleiro me informou, naquele momento, que registraria um boletim de ocorrência pelo ocorrido. Posteriormente, durante a elaboração desta súmula, tive conhecimento de que o boletim foi registrado sob o número BO202502200819578. Ressalto que não foi possível identificar o autor dos insultos” diz trecho da súmula.
Ainda de acordo com o árbitro, “o ocorrido foi testemunhado pelos atletas da A.A. Portuguesa: Bruno de Azevedo, número 4; João Gabriel, número 15; Wellington Fraga Vieira, número 3; e Leonardo Silva, número 5”.
Então, o árbitro segue na descrição da súmula que, “Diante da gravidade da situação, mantive a paralisação para avaliação dos fatos e adoção das providências cabíveis. Desde o momento da paralisação, o goleiro Sr. Winiston Cristian Santos manifestou a mim a decisão de não prosseguir na partida, sendo apoiado por seus companheiros de equipe e comissão técnica”.
Por fim, após 23 minutos de paralisação, todos os atletas e membros da comissão técnica da equipe mandante deixaram o campo de jogo, formalizando o abandono da partida. “Diante dessa decisão, encerrei a partida”, escreveu o árbitro.
Com resultado, o São José subiu para o sétimo lugar, com 15 pontos, ganhando cinco posições. No entanto, se tivesse feito mais dois gols, teria subido para o sexto lugar. E a Briosa, com 9, entrou na zona de rebaixamento.
A diretoria da Portuguesa Santista, após a partida, emitiu uma nota oficial lamentando a acusação de racismo contra o goleiro do clube. E prometeu tentar identificar os responsáveis.
“Os valores da Associação Atlética Portuguesa se traduzem em sua história. Uma história de luta contra todo tipo de preconceito, sobretudo o racial.
Neste momento, a diretoria da Briosa está debruçada em identificar os envolvidos no episódio, para que sejam punidos em conformidade com a lei”, diz nota nas redes sociais.
Já na manhã desta sexta-feira (21), a diretoria do São José também emitiu uma nota repudiando a ofensa racista. " O São José E.C. SAF manifesta, veementemente, repúdio aos atos de racismo contra o goleiro Tom, da Portuguesa Santista, ocorridos na noite de ontem (21), no estádio Ulrico Mursa, em Santos, durante o jogo válido pela décima primeira rodada do Campeonato Paulista da série A2. Ressaltamos que racismo é crime e o São José, por meio de sua diretoria, comissão técnica e atletas, se solidariza com o goleiro Tom e com a Briosa. Entendemos que atos de racismo não têm lugar no esporte, nem em qualquer outro âmbito da sociedade. Que as autoridades possam apurar essa ocorrência, identificando os criminosos, para que a Justiça atue na punição dos envolvidos".