09 de julho de 2026
INVESTIGAÇÃO

Quem é 'Nero do Piseiro', suspeito de comandar ataque ao MST

Por Da redação | Tremembé
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução
Antônio Martins dos Santos Filho, conhecido como 'Nero do Piseiro'

A Polícia Civil de São Paulo prendeu no sábado (11) Antônio Martins dos Santos Filho, conhecido como "Nero do Piseiro", sob suspeita de ter chefiado o ataque a um assentamento do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra) que deixou ao menos dois mortos e seis feridos em Tremembé (SP), no Vale do Paraíba.

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Segundo o delegado Marcos Rogério Pereira Machado, responsável pela comunicação social da Delegacia Seccional de Taubaté, Nero estava escondido no bairro Santa Tereza, em Taubaté, cidade vizinha a Tremembé, e foi detido em flagrante no local.

Com ele, os policiais apreenderam uma moto provavelmente usada para cometer o crime. A investigação aponta Nero do Piseiro como o responsável por "organizar e participar da chacina", cuja motivação estaria relacionada a uma disputa por terras no assentamento.

O delegado Marcos Ricardo Parra, chefe da seccional de Taubaté, disse no sábado que Nero, 41 anos, teria admitido envolvimento no caso e foi reconhecido por sobreviventes do ataque que o avistaram no local. O grupo não usava máscaras durante a ação, e o homem identificado já era conhecido pelos sem-terra.

Segundo o delegado, o suspeito está colaborando com as investigações ao apontar possíveis locais onde os demais envolvidos podem ser encontrados.

Perfil.

Natural de Petrolina, no interior de Pernambuco, Nero do Piseiro foi condenado por porte ilegal de arma de fogo em abril de 2024, recebendo uma sentença de dois anos de reclusão em regime inicial aberto, além do pagamento de multa. Em novembro do mesmo ano, porém, ele foi absolvido em segunda instância.

Pai de sete filhos, com idades entre 2 meses e 26 anos, Nero informou à polícia que possui o ensino médio incompleto, mora em uma habitação coletiva em um bairro rural de Tremembé e trabalha como autônomo, com uma renda mensal de R$ 2.000.

O suspeito, conhecido entre os integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra, acumula um histórico de intimidações contra os assentados, de acordo com relatos obtidos pelo Estadão.

O suspeito permaneceu em silêncio durante o primeiro depoimento, optando por não responder às perguntas feitas pela Polícia Civil. No entanto, posteriormente, afirmou estar arrependido e, sobre a participação no crime, disse que "foi chamado para ir lá".

Segundo os sem-terra, Nero do Piseiro estaria há pelo menos dois anos fazendo ameaças recorrentes e, em algumas ocasiões, chegou a avançar com sua caminhonete contra os trabalhadores, numa tentativa de intimidá-los.

O MST afirma ter formalizado várias denúncias à Polícia Civil ao longo desse período, mas nenhuma delas teria resultado em investigação.

* Com informações do portal UOL