A Justiça decretou a prisão temporária de Antonio Martins, conhecido como “Nero do Piseiro”, de 41 anos, apontado como o mentor do massacre que matou dois e deixou seis feridos no assentamento Olga Benário, do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), em Tremembé, na noite de sexta-feira (10). Nero foi preso pela Deic (Delegacia Especializada de Investigações Criminais) de Taubaté, na tarde de sábado (11).
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A prisão temporária é de 30 dias, prorrogável pelo mesmo período. A Justiça também decretou a prisão de um outro suspeito, identificado como Ítalo Rodrigues da Silva, que ainda segue foragido. Nero e Ítalo foram reconhecidos pelas vítimas e por testemunhas do ataque. Cerca de 10 criminosos participaram do massacre, de acordo com a investigação. As equipes da Deic seguem nas ruas.
Os criminosos invadiram o assentamento com cinco carros e três motos, portando armas de fogo (calibre 12 e 9mm) e armas brancas, por volta das 23h20 de sexta-feira (10). Eles abriram fogo contra os assentados. Após o massacre, os criminosos chegaram a amarrar vítimas e prometeram que "iriam voltar".
Morreram Valdir do Nascimento, de 54 anos, o Valdirzão, considerado uma das principais lideranças do MST na RMVale, e Gleison Barbosa de Carvalho, o Guegue, que era assentado. Denis Carvalho, de 29 anos, irmão de Gleison, levou dois tiros na cabeça e está em estado grave. No sábado, o movimento chegou a confirmar a morte do jovem, mas a informação foi posteriormente corrigida.
De acordo com a polícia, Nero é apontado como mentor intelectual do crime e já tinha passagem criminal por porte ilegal de arma de fogo. O massacre, segundo a polícia, foi motivado pela disputa por um terreno na área do assentamento.
Segundo o MST, a área do assentamento desperta interesse imobiliário devido a localização privilegiada. “O Assentamento Olga Benário enfrenta uma intensa disputa com a especulação imobiliária voltada para o turismo de lazer, devido à sua localização estratégica na região do Vale do Paraíba. Há anos, as famílias assentadas vêm sofrendo ameaças e coerções constantes”, disse o movimento em seu site.
O assentamento Olga Benário do MST em Tremembé, que abriga cerca de 45 famílias, é regularizado pelo Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) há cerca de 20 anos.
O MST critica que "mesmo após diversas denúncias feitas aos órgãos estaduais e federais", não houve uma resposta efetiva para garantir a segurança e a permanência dessas famílias no território. O Ministério da Justiça e Segurança Pública determinou que a Polícia Federal instaure inquérito para apurar o ataque. A pasta informou que uma equipe da PF, com agentes, perito e papiloscopista, já foi deslocada para Tremembé.