A Polícia Federal iniciará uma investigação para apurar o ataque ao assentamento Olga Benário, do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), ocorrido na noite desta sexta-feira (10) em Tremembé (SP), no Vale do Paraíba. Dois assentados foram mortos e ao menos seis pessoas ficaram feridas, algumas em estado grave.
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De acordo com o MST, homens armados invadiram o local por volta das 23h, disparando contra as famílias que dormiam, incluindo crianças e idosos. Entre as vítimas fatais estão Valdir do Nascimento, de 52 anos, uma das lideranças do assentamento, e Gleison Barbosa de Carvalho, de 28 anos.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública determinou a instauração do inquérito e enviou uma equipe da PF, composta por agentes, perito e papiloscopista, para o local. Segundo o ministro substituto Manoel Carlos de Almeida Neto, a ação visa esclarecer os fatos e identificar os responsáveis pelo ataque.
Os feridos estão sendo tratados em unidades públicas de saúde da região, mas seus estados de saúde não foram divulgados devido ao sigilo médico e à natureza policial do caso.
Apoio às famílias
O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania anunciou assistência às famílias do assentamento por meio do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, Comunicadores e Ambientalistas. O ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, repudiou o atentado e manifestou solidariedade às famílias das vítimas.
Denúncias recorrentes
Segundo dados da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, mais de 2.300 denúncias de violações relacionadas a conflitos agrários foram registradas entre 2020 e 2024. Entidades como o Conselho Nacional de Direitos Humanos e a Ouvidoria da Polícia de São Paulo exigem apuração rigorosa e punição exemplar dos responsáveis.
O caso provocou reações de parlamentares, incluindo o deputado estadual Simão Pedro (PT-SP), que apontou o envolvimento de organizações criminosas interessadas em terras da reforma agrária.
*Com informações de Agência Brasil.