10 de julho de 2026
INVESTIGAÇÃO

Com elo na região, MP denuncia financiamento eleitoral do PCC

Por Da redação | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação / Governo de SP
Operação ‘Decurio' contou com 400 policiais nas ruas de 15 cidades

O MP-SP (Ministério Público do Estado de São Paulo) denunciou à Justiça 19 acusados de envolvimento em um esquema criminoso que movimentou R$ 8 bilhões por meio de um "banco do crime" e mais 19 empresas para apoiar candidaturas nas eleições municipais em São Paulo.

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A maioria foi presa durante a Operação ‘Decurio’, deflagrada em agosto deste ano na capital e em outras nove cidades. Na ocasião, policiais civis da região do Alto Tietê e de outros municípios paulistas cumpriram também 60 mandados de busca e apreensão.

Segundo a Polícia Civil e o Gaeco (Grupo de Atuação Especial e de Combate ao Crime Organizado), a movimentação dos R$ 8 bilhões foi efetuada por integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital) para financiar campanhas eleitorais de candidatos ligados à facção criminosa. Um dos alvos da facção era a cidade de Ubatuba, com a tentativa de emplacar uma candidata financiada pelo crime.

A Polícia Civil apurou que os denunciados também agiam na capital paulista e nos municípios de Itaquaquecetuba, Guarulhos, Mogi das Cruzes, Santo André e Diadema, na região metropolitana, e também em Avaré e Sorocaba, no interior, e em Santos e Praia Grande, na Baixada Santista.

Investigações.

As investigações tiveram início em 9 de junho de 2023, em Itaquaquecetuba, onde os agentes apreenderam 28 kg de maconha e 8 kg de cocaína na casa de Fabiana Lopes Manzini, mulher de Anderson Manzini, um preso recolhido na Penitenciária 1 de Avaré, um dos fortes redutos do PCC.

Os agentes afirmam que Manzini é ligado a Wanderson Nilton de Paula Lima, o Andinho, preso na Penitenciária Federal de Brasília e excluído recentemente do PCC por determinação de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, tido como o chefão da organização criminosa.

Na casa da mulher de Manzini, os policiais também encontraram dispositivos eletrônicos e várias cartas escritas pelo preso. Nas correspondências, havia nomes de diversos integrantes do PCC presos e em liberdade. Todos foram identificados. O casal e João Gabriel de Mello Yamawaki também foram denunciados.

Envolvidos.

Os promotores de Justiça denunciaram ainda Patrick Uelinton Salomão, o Forjado, integrante da cúpula do PCC. Ele está foragido e a suspeita é de que esteja escondido na Bolívia. O MP-SP também pediu a conversão da prisão temporária para prisão preventiva de 15 dos 19 denunciados;

Décio Gouveia Luiz, o Décio Português, parceiro de Forjado e também da cúpula do PCC, não foi denunciado, mas continua investigado, assim como o advogado Ahmed Hassan Saleh, o Mudi, e outros 14 suspeitos. Os celulares e notebooks apreendidos com eles ainda não foram analisados.

Décio Português já estava com a prisão decretada pelo MP-SP desde a Operação ‘Fim de Linha’, deflagrada em abril deste ano pelo Gaeco para apurar a ligação da empresa de ônibus UPBus com o PCC. A prisão de Mudi tinha sido pedida, mas a Justiça negou e impôs medidas cautelares contra ele.

De acordo com a Polícia Civil, os suspeitos que tiveram a prisão decretada eram interlocutores da mulher de Manzini e montaram "um esquema estruturado também para o branqueamento de valores oriundos de diversos crimes, especialmente o tráfico de drogas".

* Com informações do UOL