10 de julho de 2026
SABATINA OVALE

Cabral defende ‘metas ousadas’ na educação e o uso de IA na saúde

Por Da Redação | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 7 min
Reprodução
Prof Wilson Cabral é o candidato do PDT à Prefeitura de São José

Candidato à Prefeitura de São José dos Campos, Prof Wilson Cabral (PDT) participou nesta sexta-feira (20), na redação de OVALE, da sabatina com os postulantes ao Paço Municipal.

As sabatinas com os candidatos a prefeito de São José ocorrerão até 24 de setembro, com início às 19h. As entrevistas terão uma hora de duração e serão transmitidas ao vivo pelo site de OVALE, além do YouTube e Facebook, com conteúdos adicionais no Instagram.

Clique aqui para fazer parte da comunidade de OVALE no WhatsApp e receber notícias em primeira mão. E clique aqui para participar também do canal de OVALE no WhatsApp

Wilson Cabral respondeu a perguntas do editor-chefe de OVALE, Guilhermo Codazzi, e do repórter especial Xandu Alves.

Durante a sabatina, Cabral explicou por que decidiu ser candidato a prefeito - dos seis postulantes ao cargo, ele é o único que disputa uma eleição pela primeira vez. "Eu vivo há 28 anos em São José dos Campos. Desde então, participo da vida pública joseense nos conselhos municipais. Percebi que a gente sofreu uma deterioração do ambiente político nos últimos tempos. Achei que era o momento de me colocar à disposição".

Cabral disse que aposta em um modelo de gestão "participativo" e criticou o modelo atual, em que as áreas são geridas por "pessoas indicadas politicamente, sem capacidade técnica", prejudicando a "oferta de serviços públicos". Segundo o candidato, a Prefeitura usa os cargos comissionados para fazer um "jogo político" com a Câmara, com o objetivo de impedir o papel de fiscalização por parte do Legislativo. "Isso é fazer com que um ente importante não cumpra seu papel. Esse não é um modelo adequado. Estamos próximos de uma autocracia em São José dos Campos".

O candidato explicou o motivo de escolher o PDT para disputar a eleição. "Eu tinha um carinho pelo PDT histórico. Se analisar os partidos, o PDT talvez seja o mais coerente. Hoje, o PL, liberal, defende o conservadorismo. O Partido dos Trabalhadores tem uma disputa com a pauta ambiental", afirmou. "Há contradições em diversos partidos. O PDT tem suas contradições, mas são menores do que em outros partidos. Mantém uma coerência, e tem liberdade para fazer críticas", disse. "Hoje o PDT é um partido de centro-esquerda, e está caminhando para o centro. É um partido que está tentando romper uma polarização absurda que está nos levando para uma cegueira", concluiu.

Nas duas eleições anteriores em São José, em 2016 e 2020, o PDT apoiou o PT. Indagado sobre o motivo para isso não se repetir em 2024, Cabral respondeu: "a resposta direta é por entender que o PT não tinha uma solução adequada para o que a gente queria para São José dos Campos".

Cabral também comentou a pesquisa divulgada por OVALE no mês passado que apontou que 50,3% dos eleitores de São José dos Campos afirmam ser de direita, 10,9% de esquerda e 24,2% de centro, e disse o que pretende fazer para conquistas essas diferentes parcelas do eleitorado. "Eu tenho muitos eleitores formados que se consideram de direita. E alguns se consideram bolsonaristas. Não temos tido dificuldade para trazer eleitores de todos os espectros políticos. Tenho tido aceitação entre direita, esquerda e centro".

O candidato afirmou ser "tosco" dividir os eleitores em direita e esquerda - "parece uma coisa binária", disse - e declarou que quer enfrentar os "problemas reais" da cidade. "Não temos tido nenhuma recepção negativa". Segundo ele, o problema é que "as campanhas são muito desiguais" e a falta de "visibilidade" tem atrapalhado a candidatura. "É muito difícil para um partido menor, com estrutura menor. Os três partidos que estão na frente [das pesquisas] são os partidos de maior orçamento".

Cabral fez críticas a mudanças feitas na Lei de Zoneamento nos últimos anos, principalmente nas áreas de proteção ambiental de aquíferos e de cerrado. "Nos resguardava para mudanças climáticas, e nos resguardava também para tempos de escassez hídricas", disse. "Hoje, já tem mais de 2.500 construções novas [nessas áreas] desde que foi mudado o Plano Diretor. O candidato também criticou a aprovação de "verticalização sem análise prévia". "A Vila Ema tem cinco novos prédios saindo, grandes, mais oito com projetos aprovados", afirmou Cabral, reforçando que o bairro tem "problemas de congestionamento, e que isso vai piorar ainda mais". "É de uma irresponsabilidade muito grande o que aconteceu. E aconteceu à revelia do sentimento da sociedade. Os três candidatos que estão à frente da pesquisa fizeram amém para elas [as mudanças no zoneamento e no Plano Diretor]".

Defensor da pauta ambiental, Cabral afirmou que a troca de todos os ônibus de São José dos Campos por veículos elétricos não deve ser prioridade nesse momento. Para o candidato, a urgência é outra. "Tem muitas pessoas que levam mais de uma hora e meia para ir ao trabalho usando o transporte público. Isso é absurdo, temos que resolver de imediato. Temos que remapear essas linhas, imediatamente". Uma das propostas dele é criar linhas "perimetrais" que façam a ligação direta entre regiões distantes, reduzindo o tempo das viagens. "Só com isso a gente poderia reduzir muito problema de tempo no transporte público".

Cabral também defendeu a realização de estudo sobre a viabilidade da tarifa zero no transporte público, mas não se comprometeu em implantar o modelo. "Não defendo a tarifa zero de imediato. Defendo que a gente faça uma análise, um estudo, para avaliar a possibilidade", disse. "Eu tenho que analisar o que isso vai trazer de benefício direto e indireto". Afirmou que os outros candidatos não fazem "discussão nenhuma com a sociedade" e "estão tirando [propostas] da cartola". Para ele, o transporte público precisa "ser atrativo" para os moradores. "Na mobilidade, a gente tem que tirar carros da rua".

O candidato também afirmou que pretende estudar a viabilidade de implantar o transporte com embarcações no Rio Paraíba do Sul. "Todo esse trecho interno [do rio], com poucas adaptações, pode se tornar navegável", disse. Segundo ele, a ideia seria utilizar pequenas embarcações, com capacidade para transportar de 15 a 20 pessoas. "Não vão resolver o fluxo de transporte entre as zonas norte e oeste, mas vão ajudar".

Cabral defendeu o uso de inteligência artificial na saúde, para ações como melhorar o diagnóstico precoce e o monitoramento contínuo de doenças crônicas, além de fazer análise de dados clínicos e históricos médicos. "Você reduz sensivelmente o nível de internações", disse. "Talvez a gente consiga reduzir o custo geral da saúde".

O candidato também afirmou que pretende ampliar o programa de telemedicina. "Hoje essa ação é muito tímida, atende porcentagem muito pequena. Não dá para dizer que toda população será atendida por telemedicina, mas dá para dizer que toda a população que está propensa a ser atendida por telemedicina, o será", disse. "Isso não é tirar o atendimento presencial. Há situações em que o atendimento presencial é necessário. E precisa ser ampliado".

Com relação ao impasse do Banhado, Cabral defendeu manter as famílias no local e também fazer a preservação ambiental. "A parcela da comunidade que está dentro da área do Parque Natural do Banhado é muito pequena. Basta uma desafetação dessa área do parque. Você continua com o parque natural municipal, com 99% da sua área, e a comunidade fica livre. Feito isso, regularização e urbanização. Pronto, solução dada para o Banhado", afirmou. "Ganha a cidade, porque resolve o conflito. Ganha a cidade, porque vai ter uma área urbanizada. Ganha a comunidade, pois vai ter uma área menos insalubre". O candidato defendeu ainda que o parque do Banhado seja aberto a visitação. "Um modelo diferente, que preserve as questões ambientais".

Na área da educação, Cabral disse ter "metas ousadas". "A meta é educação nota 10. Se não tem meta ousada, não vai transformar. A gente está hoje com média no Ideb de 5,6. É um absurdo. Não faz sentido isso numa cidade como São José dos Campos". Para alcançar a meta, o candidato disse que é preciso focar principalmente nas escolas com notas mais baixas, "trazer a comunidade junto", e também fazer a valorização dos professores. "O professor tem que estar motivado". Cabral, que é professor, disse se inspirar no modelo implantado pelos governos do PDT no Ceará. "O PDT sabe fazer".