Entre o desespero e a esperança.
Famílias do Vale do Paraíba vivem o drama dos desaparecidos. Elas procuram por familiares que sumiram sem deixar rastro e continuam desaparecidos até mesmo depois de mais de um ano.
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Ao menos seis famílias da região enfrentam a angústia de não saber onde estão e o que aconteceu com seus familiares. Estão desaparecidos desde jovens na casa dos 20 anos até idosos de quae 80. Nos últimos dias, duas mulheres que estavam desaparecidas foram encontradas mortas.
“É muita tristeza, uma situação muito triste perder a minha tia dessa forma. Por outro lado, a gente fica aliviado de colocar um ponto final nessa história, porque ela estava desaparecida há seis dias”, afirmou a sobrinha de Laura de Fátima Oliveira Romeiro, 53 anos, encontrada sem vida após uma semana desaparecida em São José dos Campos. Ela enfrentava há décadas um quadro de depressão.
Em Guaratinguetá, o Corpo de Bombeiros resgatou das águas do rio Paraíba o corpo de Maria Helena, em 1º de agosto. Ela, que também estava desaparecida, deixou uma carta de despedida dizendo que tiraria a própria vida. Maria Helena tinha cerca de 50 anos e sofria de depressão.
A família do jovem Décio de Castro Santos, 24 anos, procura por ele desde janeiro de 2023, quando desapareceu em São José. Não há qualquer pista sobre o jovem, que sonhava em ser médico. A família agora só quer colocar um fim no sofrimento.
“Entregamos nas mãos de Deus. Eu não acredito que ele esteja vivo. A gente só quer encontrar o corpo para enterrá-lo de forma digna, porque a mãe dele está sofrendo”, disse a irmã de Décio, que lutava contra a depressão há mais de três anos e já tinha tentado tirar a própria vida. Quem tiver informações pode ligar para (11) 95461-2345.
A fé sustenta a família do aposentado Antônio Carlos Barbosa de Faria, de 66 anos, que está desaparecido desde 23 de maio deste ano. Ele mora em São José. Os parentes acreditam que ele vai ser encontrado com vida e fazem campanha nas redes sociais em busca de informações.
"Todos de casa estão à procura, estamos saindo para rua para procurar. Não podemos perder a fé, estamos em oração e procurando", disse Kelly a OVALE. Ela é filha de Antônio Carlos.
"Ele está mais velho do que aparenta na foto divulgada pela família. O cabelo está comprido e grisalho, com barba longa e branca", diz mensagem sobre o desaparecido. Quem tiver informações sobre o aposentado deve ligar para (12) 3911-4132 ou (12) 99127-6311.
Aos 77 anos, José Orlando de Toledo desapareceu em 24 de junho de 2024. A família acredita que ele está perdido em São José tentando voltar para casa, em Caçapava. “Tudo isso é muito angustiante, mas renovo diariamente as minhas esperanças”, disse uma das filhas dele.
Ela mantém a esperança de encontrar o pai: “Não sabemos ao certo se ele se encontra aqui em São José. Contamos com a ajuda de informações das pessoas”.
Orlando é casado, pai de duas filhas e tem dois netos. A família já fez boletim de ocorrência de desaparecimento e segue em contato com a Polícia Civil em busca de novas informações sobre o paradeiro do desaparecido.
A família indica os telefones a seguir para contato caso haja informações sobre Orlando: (12) 99601-5828 (Cláudia), (12) 99797-7646 (Gláucia), (12) 99791-5833 (Isa) ou (12) 98113-1792 (João).
“Nada ainda sobre ele”. A curta e dura frase é da irmã de Tiller George dos Santos Fonseca, 30 anos, que está desaparecido desde 18 de julho, em Lorena. Ele foi visto pela última vez deixando a casa onde mora com a mãe, no bairro Santo Antônio.
Segundo a família, Tiller trajava uma blusa preta e estava com sua moto vermelha. Ele apareceu na filmagem de uma câmera de segurança de um vizinho, mas não foi mais visto depois disso.
“Ele me mandou uma mensagem por volta de 15h e depois não tive mais contato. Eu estava trabalhando. Ele não falou aonde ia”, disse a irmã do rapaz, descrito como uma pessoa reservada e sem muitos amigos, que não costuma sair muito de casa.
Quem tiver informações sobre o paradeiro de Tiller pode ligar para (12) 98126-9744 (família) ou 181 (Disque-Denúncia) e 190 (Polícia Militar).
Em Guaratinguetá, a família procura por José Pedro de Paula, 54 anos, conhecido como Pedrinho. Ele está desaparecido desde 24 de julho. Uma vizinha avisou os familiares de que ele não aparecia na rua há três dias. Desde então, os parentes o procuram por todos os lugares.
Pedrinho realiza atividades voluntárias na igreja e é querido e conhecido por todos no bairro Engenheiro Neiva, onde mora sozinho. “Ele é uma pessoa bem quieta, reservada, não costuma sair para a rua sem necessidade, chegamos à conclusão que ele está com início de depressão”, disse a sobrinha Luiza.
Outro mistério cerca a família da jovem Letícia Vieira Ventura, de 22 anos, que está desaparecida desde 20 de março, em Ubatuba. Ela saiu de moto da casa de uma amiga e não foi mais vista. A moto foi localizada pela Polícia Militar na Praia Vermelha.
A Polícia Civil chegou a fazer incursões em áreas de mata para descobrir se Letícia foi morta e enterrada em um cemitério clandestino de Ubatuba, mas nada foi encontrado.
“Estamos fazendo todas as diligências possíveis e imagináveis para descobrir o que aconteceu com a jovem”, disse o delegado Albertino Gonçalves Neto, que comanda as investigações em Ubatuba, na época das incursões.
Em todos os casos de desaparecidos na região, qualquer informação deve ser repassada para a polícia (190) ou aos parentes que divulgam telefones de contato.
O CVV (Centro de Valorização da Vida) realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, email e chat 24 horas todos os dias. O telefone é 188 e o site é o www.cvv.org.br.