10 de julho de 2026
PERSONAGEM

Lutadora campeã de São José, Renata ReHulk sonha com o UFC

Por Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 4 min
Repórter Especial
Divulgação
Renata, a ReHulk

Essa menina leva jeito.

A frase dita por um professor de educação física tocou no coração da jovem joseense Renata Mascena Ferreira Santos, que entrou para o esporte na adolescência para perder peso.

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Lá se vão mais de 10 anos desde que a praticante de diversas modalidades esportivas encontrou na luta a sua paixão. Aliás, paixão dupla.

“Vi o pessoal treinando e, depois de um tempo, conheci meu marido, e vi como era ser atleta. Entendi a vida de atleta observando ele lutar, e me apaixonei. Ele se tornou meu treinador. Foi um combo de paixão”, diz Renata.

Fã do boxeador e campeão Mike Tyson, Renata tornou-se a ReHulk e iniciou sua trajetória no MMA (Artes Marciais Mistas) como lutadora profissional, acumulando seis lutas e vitórias entre MMA e kickboxing, esporte no qual é faixa preta e mestre e campeã paulista, brasileira e sul-americana. Ela ainda tem 15 combates como amadora.

Também foi campeã de boxe nos Jogos Abertos do Interior – tradicional ‘Olimpíada Caipira’ – no ano passado, representando São José dos Campos, título que vai buscar novamente nos jogos deste ano, em São José do Rio Preto, em novembro.

Renata ainda é campeã mundial de NoGi (jiu-jitsu sem quimono) pela CBJJE (Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu Esportivo) e dona do cinturão de um dos maiores eventos de kickboxing de São Paulo, o Spartans K1. No último sábado (27), ela derrotou pela segunda vez a adversária Inglyd Emilay no SFT XTREME, maior evento de lutas da América Latina, que teve transmissão ao vivo pela TV Band.

Força.

Tendo como característica a agressividade e a técnica de kickboxing, da luta em pé, o apelido ReHulk caiu como uma luva: “É também pela força. Por eu ser mulher, falam que tenho força além do comum. Eu super aderi ao personagem, tem tudo a ver comigo. Com o Hulk não tem conversa”, brinca Renata.

A lutadora olha para seus 10 anos de experiência e se lembra da primeira luta, em 2014. “Foi luta ainda amadora, para sentir a adrenalina, por curiosidade e me arrebatou. Ganhei a primeira luta por pontos”.

Ela conta que teve várias derrotas ao longo da carreira por enfrentar lutadoras mais experientes, as melhores da categoria – Renata luta nos pesos galo e pena. “Comecei a lutar com meninas muito experientes e entrei no fogo, lutando com as melhores. Isso me moldou a ser quem eu sou hoje”.

Treinada pelo marido Lucas Baiano, que deixou a própria carreira para focar na da mulher, Renata almeja entrar para a meca do MMA, o UFC (Ultimate Fighting Championship), maior e mais respeitada organização de lutas em todo o mundo.

“Meus planos são lutar MMA fora do Brasil e conseguir entrar nos grandes eventos. Meu foco final é o UFC. Sei que é muito difícil entrar e tenho que ter boa sequência de vitórias, saber me divulgar e ter bons empresários para eles me enxergarem. Ali é quase uma indicação”, explica Renata.

Além do marido e do filho Efrain, de 7 anos, que já fez a sua primeira luta, Renata conta com apoio incondicional da mãe, a empresária Rosangela Santos, 52 anos. “É um sofrimento [ver a luta da filha], mas eu a apoio muito”, diz ela.

Segundo Rosangela, a filha está correndo atrás do sonho com “humildade e dedicação”, além de “muito trabalho”. “Assistir a primeira luta foi doloroso, mas agora ela está mais experiente e vai dar certo. É o sonho dela”.

Lutas.

Renata luta pela equipe Baiano Pitbull, formada por ela e o marido, e segue na preparação por mais lutas mantendo no alvo o sonho de combater no UFC. Além do desafio de encontrar adversárias no Brasil – ela já ficou dois anos sem lutar por falta de mulheres que queriam enfrentá-la –, Renata também cita os altos investimentos necessários para trilhar o caminho da luta profissional.

Para tanto, ela trabalha como personal fight, modalidade de aula de lutas particulares, e já teve uma academia com o marido, mas que precisou ser fechada. Hoje ela treina em academias parceiras.

Renata diz que as referências na luta são o ídolo Mike Tyson – “estilo que mais gosto” – e a lutadora chinesa de artes marciais mistas Weili Zhang, atual campeã do peso-palha do UFC e primeira chinesa a ser campeã da organização.

As próximas lutas da campeã joseense serão em outubro, em evento do SFT, e depois nos Jogos do Interior, em novembro.

Sonho.

Para pavimentar o caminho até o UFC, Renata ressalta a agressividade como a principal característica da sua luta aliada à técnica do seu treinador e marido. “Tenho um treinador extremamente técnico. Ele é a técnica que eu preciso. Vamos para a luta de acordo com a adversária, com estratégia, mas meu estilo é mais agressivo”.

Por fim, a lutadora diz que não coloca mais prazo para alcançar o sonho de lutar no UFC. Ela vai dia a dia, superando desafios dentro e fora dos octógonos e dos ringues.

Renata sabe que a idade é um componente de peso e almeja chegar ao topo do MMA nos próximos anos. “Vou tentar até quando tiver disposição. Atleta de alta performance vai até uns 40 anos. Que seja bem antes disso a entrada no UFC, para poder usufruir”.

É como disse o professor de educação física que a viu treinar ainda jovem: essa menina leva jeito (e vai longe!).