09 de julho de 2026
MUNDO

Após ser forçada pela mãe a se casar, jovem é morta pelo marido

Por Da redação | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 2 min
Divulgação/Australian Federal Police
Sakina, que se declarou inocente, foi condenada a três anos de prisão

Sakina Muhammad Jan, uma mulher de quase 50 anos, se tornou a primeira pessoa a ser presa na Austrália sob as leis de casamento forçado, ao ser condenada por coagir sua filha, Ruqia Haidari, de 21 anos, a se casar com Mohammad Ali Halimi, 26, em troca de dinheiro. O casamento, que ocorreu em 2019, resultou na morte de Ruqia, assassinada pelo marido seis semanas após a cerimônia. Halimi foi condenado à prisão perpétua pelo crime.

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Na segunda-feira (22) Sakina foi condenada a três anos de prisão, com possibilidade de liberdade condicional após 12 meses, conforme anunciado pela juíza Fran Dalziel. A juíza descreveu as ações de Sakina como uma "pressão intolerável" sobre sua filha. Sakina, que se declarou inocente durante o julgamento, poderá cumprir o restante da pena em liberdade condicional.

Sakina, uma refugiada afegã hazara que fugiu da perseguição do Talibã, migrou para a região de Victoria com seus cinco filhos em 2013. Seus advogados argumentam que ela sofre uma dor duradoura pela morte de sua filha, mas a acusada mantém sua inocência.

No julgamento, foi revelado que Ruqia já havia sido forçada a um casamento religioso não oficial aos 15 anos, que terminou dois anos depois. Ela havia expressado seu desejo de não se casar novamente antes dos 27 ou 28 anos, preferindo continuar seus estudos e buscar um emprego. A juíza Dalziel afirmou que, embora Sakina pudesse acreditar estar agindo no melhor interesse de sua filha, ela desconsiderou os desejos de Ruqia e abusou de seu poder como mãe.

Após a condenação, Sakina foi vista se recusando a aceitar a decisão da juíza, conforme relatado pela mídia local. Durante o julgamento de Halimi, foi demonstrado que ele havia sido violento e abusivo com Ruqia, exigindo que ela realizasse tarefas domésticas.

O procurador-geral Mark Dreyfus descreveu o casamento forçado como "o crime semelhante à escravidão mais relatado" na Austrália, com 90 casos conhecidos pela polícia federal entre 2022 e 2023. O parlamento australiano recentemente votou pela criação de um Comissário Antiescravidão para combater essa prática, que, segundo a polícia, está em crescimento.