Uma amizade que transcende a morte. Um amor para além da vida.
Assim é o relacionamento entre os amigos Erik Oscar Felix Conceição, 29 anos, e Cíntia Lúcia de Oliveira, 40 anos, de São José dos Campos.
A amizade que começou em um ponto de ônibus na região sudeste de São José, em 2019, não desaparece mesmo com a morte de Erik, na última sexta-feira (12).
A missa de 7º dia de Erik será realizada nesta quinta-feira (18), às 19h30, na Paróquia São José, Esposo de Maria, no bairro Campos de São José, na região leste da cidade.
Erik descobriu uma leucemia no ano passado e morreu por complicações relacionadas à doença. Deixou saudades por onde passou, especialmente no coração de Cíntia.
“A gente era amigo e ele dizia que era de outra vida. A amizade era muito forte. Nossa ligação era muito especial”, ela conta.
Ela reuniu algumas das muitas fotos e vídeos que tem com Erik e fez uma montagem, postando um vídeo na internet. Uma declaração de amor ao amigo que se foi, mas que fica na memória e no coração. Clique AQUI para ver o vídeo.
“São fotos das viagens, dos encontros que tivemos. Se colocasse tudo que tenho não ia caber. Tem vídeos dele dançando, da gente saindo, da primeira viagem a Cacique de Ramos, no Rio de Janeiro, em 2020. Publiquei o vídeo e fiz essa homenagem ao Erik. Nossa amizade é eterna”, afirma Cíntia.
Na era das redes sociais, de amizades digitais e fugazes que buscam likes ao invés de contato humano, Cíntia e Erik tinham um relacionamento duradouro e verdadeiro, fiel aos sentimentos de cada um. Eles compartilhavam a vida e viviam momentos inesquecíveis, como as tantas viagens e passeios que fizeram nesses anos.
“Viajamos para São Sebastião, passei o Natal com ele, passamos o Carnaval juntos em São José, na Via Oeste, e no aniversário dele mandei um bolo para a loja que ele trabalhava”, conta Cíntia.
Ela diz que Erik tinha um círculo grande de amigos e que amava todos eles. “Tem outros amigos que também fazem parte da história dele, que eu conheci. Ele amava viver, amava sair com os amigos". Ele também tinha um grande amor pela irmã, segundo ela. (Veja galeria de fotos de Erik com seus amigos e amigas).
Cidi Ramos, 30 anos, também amiga de Erik, disse que a amizade com ele se assemelhava às estações do ano. Pura poesia.
“A nossa amizade era como as estações, no verão a gente aproveitava cada segundo o sol, se pudéssemos acordaríamos com o sol. No verão, cedo lá estamos em um mangue pegando berbigão, após vários e vários banhos de mar. Assim era nossa amizade, quente como o sol”, disse ela.
“Na primavera, a gente caminhava entre os canteiros de terra e suas vegetações. Assim era nossa amizade, linda como uma rosa. No outono, a gente pensava se sentia frio ou calor, as brincadeiras nos aquecia.”
“Assim era nossa amizade, nem quente e nem fria, era perfeita na nossa medida. No inverno, a gente corria para se aquecer, era o melhor pega pega. E claro, quem soltava a maior fumaça pela boca ganhava. E assim era nossa amizade, nem o vento mais frio era capaz de esfriá-la”, afirmou Cidi.
O corpo de Erik foi enterrado no sábado, no Cemitério Municipal Colônia Paraíso, em São José. Foi ali, segundo Cíntia, que a “ficha caiu” e a tristeza apareceu. Mas ela não fica. A amizade é maior.
“Perder o amigo foi desesperador e não acreditava no que tinha acontecido. A ficha só caiu no dia do velório dele.” E acrescenta: “Homenagem ao nosso menino que lutou muito. Ele amava seus amigos”.
Ainda com o coração despedaçado, mas cheio das lembranças com Erik, Cíntia manda um recado para o amigo: “Eu te amo”, e explica: “É o que sempre falava para ele”.
E ela não tem dúvida: a amizade entre eles é eterna.