A Frente Ambientalista do Vale do Paraíba Paulista mobiliza apoios para tentar barrar a instalação de uma termelétrica em Caçapava, projeto que prevê investimento de US$ 1 bilhão – mais de R$ 5 bilhões.
Clique aqui para fazer parte da comunidade de OVALE no WhatsApp e receber notícias em primeira mão. E clique aqui para participar também do canal de OVALE no WhatsApp.
O grupo pretende questionar o projeto nas duas audiências públicas que o Ibama vai realizar no Vale do Paraíba, quando será apresentado o Rima (Relatório de Impacto Ambiental) da Usina Termoelétrica São Paulo.
As audiências serão realizadas nesta terça-feira (2), às 19h, no auditório da sede do Grêmio Recreativo Nestlé, no bairro Vera Cruz, em Caçapava, e na próxima quinta-feira (4), às 19h, no auditório do Hotel Nacional Inn, no Jardim Oswaldo Cruz, em São José dos Campos.
Na avaliação da Frente Ambientalista, a usina vai “aumentar a poluição do ar e usará muita água, o que compromete o abastecimento do município”.
“Os possíveis empregos gerados para operar a usina serão poucos, e o mais importante: o impacto será regional, ma s a população das cidades não foi consultada”, afirma o grupo.
O negócio é classificado como a “maior termelétrica em potência do Brasil”, que pode ser instalada em área de 260 mil metros quadrados de Caçapava, perto da divisa com Taubaté.
A usina servirá para a geração de energia a partir de gás natural, com potência instalada de até 1.743,8 MW – volume superior ao de qualquer unidade desse gênero em funcionamento na América Latina.
O investimento previsto é de US$ 1 bilhão (mais de R$ 5 bilhões), com geração de até 2.000 postos de trabalho na fase de obras e mais de 100 empregos diretos e indiretos.
Como a energia será produzida a partir da queima de gás natural, segundo a avaliação do MPF, haverá elevado potencial de impacto sobre o Vale do Paraíba.
Membro da Frente Ambientalista, o professor e poeta José Moraes Barbosa disse que é contra a instalação de uma termelétrica em Caçapava.
“O nosso quadro atmosférico já está bastante saturado devido à poluição em larga escala provocada por uma grande frota de automóveis e por indústrias altamente poluidoras, como é o caso da Revap, causando o agravamento de doenças respiratórias e doenças cardiovasculares”, disse ele.
“A geografia do Vale do Paraíba, composta por duas serras, a do Mar e da Mantiqueira, dificulta a dispersão da poluição por conta da baixa ventilação que nela existe, região de calmaria. Portanto, no Vale não cabe uma termoelétrica”, afirmou.
Segundo Moraes, a população deve “apoiar políticas públicas que incentivem as energias limpas e renováveis visando preservar a saúde e a qualidade de vida”.
A Frente Ambientalista produziu uma cartilha sobre a usina em Caçapava. De acordo com o material, o EIA (Estudo de Impacto Ambiental) do projeto aponta três fontes principais de poluentes atmosféricos: Monóxido de Carbono (CO), Óxidos de Nitrogênio (NOx), e Hidrocarbonetos Totais (HC).
“Todas essas substâncias são produtoras do ozônio. Uma salada de substâncias tóxicas que provocam doenças respiratórias como bronquite, asma, alergias, enfisema, inflamações de regiões do corpo humano que tenham mucosa etc”, diz a cartilha.
Procurada pela reportagem, a empresa Natural Energia disse que segue cumprindo todas as obrigações previstas em lei para a implementação da Usina de Transição Energética São Paulo, em Caçapava.
"Como a cartilha em questão não foi elaborado pela Natural Energia, a empresa informa que estará à disposição da população para apresentar o projeto e esclarecer eventuais dúvidas nas audiências públicas que serão realizadas nos dias 2, em Caçapava, e 4, em São José dos Campos", afirmou a empresa, em nota.