11 de julho de 2026
LOCALIZADO NA RUA

‘Encontrado por um anjo’, diz mãe de criança que fugiu da escola

Por Da redação | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 5 min
Reprodução
Caso ocorreu na Escola Municipal de Educação Infantil Mário Campaner

A fisioterapeuta Juliana Sperandéo postou um depoimento emocionado nas redes sociais sobre o caso do filho Miguel, de dois anos, que saiu de uma escola municipal de São José dos Campos sem que nenhum funcionário percebesse.

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O menino andou pela calçada, atravessou a rua e foi encontrado na outra calçada por uma família, que achou estranho a criança estar sozinha. Essa mãe trouxe o menino de volta para a escola, para alívio de Juliana, do marido e da avó, que havia ido buscá-lo naquele dia.

“Essa mãe foi um anjo e entregou Miguel na mão da inspetora. Graças a Deus meu filho está a salvo, não é mérito da escola, mas dessa mãe que foi Deus quem a colocou nesse momento”, disse Juliana.

O episódio aconteceu na Escola Municipal de Educação Infantil Mário Campaner, no Jardim das Indústrias, na zona oeste de São José, no dia 8 de maio.

O pequeno Miguel pegou suas coisas e atravessou o pátio da escola e saiu da unidade, sem que nenhum funcionário o parasse. Ele só voltou à unidade graças à intervenção de uma mãe que também tem filhos na mesma escola.

Juliana criticou a segurança da escola, cobrou uma investigação transparente sobre o caso e disse que só conseguiu falar publicamente sobre o episódio “depois de chorar muito”. Ela resolveu tirar o filho da escola.

“A professora não deveria tirá-los da sala de aula, desprotegidos. Ela ainda me falou que meu filho ‘só tinha ido ali’. Isso quebrou meu coração, porque ele foi para rua com dois anos de idade, sozinho, sem que ela soubesse”, afirmou a fisioterapeuta.

ENTENDA O CASO.

O incidente ocorreu por volta das 12h, durante o horário de saída da escola. Conforme relatos, uma auxiliar foi trocar a fralda de um aluno enquanto a professora ficou responsável pelas crianças. As crianças estavam agitadas e a professora as deixou na frente da sala, momento em que o menino pegou sua mochila e saiu sem ser notado.

A criança passou pela professora, atravessou o pátio da escola e passou pelo porteiro. Só foi notada quando uma família a viu atravessando uma faixa de pedestres e interveio.

“Eles perguntaram ‘cadê a mamãe?’ e ele ergueu as mãos e disse ‘cadê mamãe?’. Nesse momento, eles levaram meu filho de volta para a escola”, relatou o pai.

Em entrevista ao Life Informa, o pai da criança disse que não recebeu apoio suficiente da Secretaria da Educação após o incidente, deixando seu filho muito inseguro.

“Já falamos com a Secretaria da Educação, Conselho Tutelar e fizemos o boletim de ocorrência, porém a impressão que dá é que estão fazendo de tudo para que o caso caia no esquecimento”, relatou o pai.

TRAUMA.

“Miguel saiu da escola sem o conhecimento da professora e foi para a rua. Ele foi encontrado por uma família de pais de aluno da escola. Eles reconheceram o uniforme e levaram [meu filho] para dentro da escola e para a inspetora de aluno. Chorei demais porque pensei por tudo o que poderia ter acontecido com meu filho: acidentado, perdido, sequestrado, alguém fazer mal”, disse Juliana.

Ela disse que pediu para ver as imagens das câmeras de segurança, mas que não foi atendida. Ela também pediu para conhecer a família que trouxe o filho de volta à escola.

“Pedi para conhecer essa família e gostaria de agradecer. Eles tiveram a sensibilidade de observar que o meu filho estava sozinho na rua”, afirmou.

Segundo ela, o menino não quis mais entrar na escola depois do episódio. “Quando fui encontrar com a professora na escola, no dia seguinte, o Miguel começou a chorar e não queria entrar. Ele não é assim, e algo de estranho aconteceu”.

“Ele mudou de comportamento e chorou muito ao vê-la. Fiz boletim de ocorrência e fui relatar o caso no Conselho Tutelar. A Secretaria de Educação me pediu desculpas no dia seguinte [9 de maio] e disse que iria instaurar uma investigação interna.”

OUTRO LADO.

A Prefeitura de São José dos Campos afirmou que se trata de um caso isolado. A Secretaria de Educação e Cidadania disse que reforçou todas as orientações com a equipe gestora da unidade.

Sobre a presença de câmeras de segurança na escola, a prefeitura informou que, embora as imagens existam, não podem ser fornecidas aos pais devido à LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados). As imagens são preservadas e fornecidas apenas mediante requisição de autoridade competente.

Foi aberto um processo para investigação do caso e todos os procedimentos cabíveis foram realizados, incluindo a emissão da ficha Sinan e envio da ocorrência ao Conselho Tutelar. A Secretaria da Educação justificou a necessidade de sigilo no caso, citando o artigo 13 do Decreto n. 19513/2024, que regulamenta os procedimentos investigativos relacionados a servidores públicos.

A direção da escola acolheu a família para prestar esclarecimentos e a equipe do Serviço de Orientação Educacional da Secretaria de Educação atendeu a família, oferecendo-se para novos atendimentos.

A prefeitura informou que o Setor de Orientação Educacional atua em todas as escolas municipais, promovendo o desenvolvimento integral dos alunos com ações preventivas, orientações, projetos e em parceria com assistentes sociais, psicólogos e a equipe técnica da Secretaria de Educação, visando garantir uma resposta rápida e eficaz a incidentes futuros.

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