O número de mortes em decorrência de intervenção policial aumentou 75% no Vale do Paraíba em 2023 comparado ao ano anterior, segundo relatório da Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo, o primeiro sob a gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
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De acordo com o levantamento, as mortes passaram de 12 para 21 entre os dois anos, com nove óbitos a mais no período e um crescimento de 75%.
Trata-se do segundo maior aumento percentual entre as principais regiões do estado de São Paulo, ficando atrás apenas da região de Santos, que registrou 91,43% de crescimento nas mortes em decorrência de intervenção policial: 35 para 67.
O estado de São Paulo registrou 378 óbitos em ocorrências de confronto com as polícias, um crescimento de 20,38%. O maior número de mortes aconteceu na capital (154), seguida de Santos (67), Grande São Paulo (57), Sorocaba (23) e RMVale (21).
O total de mortes em decorrência de intervenção policial no Vale está em queda na comparação com 2020, quando a região registrou 30 óbitos – 30% de queda para 2023, mas o ano passado teve aumento ante 2021 (18 mortes) e 2022 (12).
Com isso, a participação da RMVale no total de mortes em confronto com as polícias do estado passou de 4,26% em 2020 para 5,56% em 2023, uma variação de 30,5%.
A Ouvidoria também analisou quais as cidades tiveram mais mortes em ocorrências com as polícias no ano passado. O ranking é liderado por São Paulo (154), Guarujá (27) e Santos (14). Com seis vítimas, Jacareí tornou-se a 10ª do estado com mais mortes em decorrência de intervenção policial.
Nenhuma cidade da região estava no ‘top 10’ do estado em 2022 e 2020, mas Caraguatatuba entrou na 10ª posição em 2021, com sete óbitos.
Ainda segundo a Ouvidoria, considerando os dados de todo o estado de São Paulo, o número de mortes em confronto com a Polícia Civil cresceu 40,74% entre 2022 e 2023, passando de 27 para 38 casos. A corporação foi responsável por 10% dos óbitos em confronto no ano passado.
Na mesma comparação, as mortes em confronto com a Polícia Militar aumentaram 18,12%, de 287 para 339. A PM ficou com fatia majoritária dos óbitos, com 89,6% das mortes em confronto.
“A Ouvidoria está aqui para ouvir. Mas também para que todos se façam ouvir e ser respeitados, convertendo assim, numa verdadeira voz da cidadania”, disse o ouvidor da Polícia do Estado de São Paulo, Cláudio Silva.