09 de julho de 2026
RESCÉM-NASCIDA

'A gente tem pra esse bebê é só amor', diz tia de recém-nascida

Por Leandro Vaz | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Da redação
Reprodução
Criança está internada no Hospital Municipal

O caso da bebê-recém-nascida que foi deixada na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Putim segue causando comoção e curiosidade em São José dos Campos. A criança está internada no Hospital Municipal da Vila Industrial.

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A menina nasceu no domingo (9) e foi levada para a unidade após supostamente ter sido encontrada abandonada dentro de uma caixa de papelão, no bairro Santa Cecília 1, na região sudeste, ainda com o cordão umbilical. Mas segundo os últimos depoimentos, não houve abandono em caixa e quem teria levado a criança é o pai e a tia. Segundo a Polícia Civil, a mãe e o pai da bebê são dois adolescentes, de 17 e 16 anos, respectivamente – o garoto completa 17 anos nesta quarta-feira (12). A jovem afirmou que “não sabia que estava grávida” e que teria dado à luz durante o banho.

“O que queremos é conseguir levar a bebê para casa. Deus conhece o coração de cada um. Não adianta mentir, porque é descoberto. Tudo o que queremos, e também os avós paternos, é que a bebê volte para casa”, disse a mãe da adolescente, a doméstica Lusinete Fructuoso.

No começo da noite desta quarta-feira (11), uma das irmãs da jovem que segue internada também no Hospital da Vila, usou as redes sociais para defender a irmã. “Não foi nada que aconteceu do que estão falando. Estão fazendo vários comentários de ódio contra a minha irmã. E quem conhece a gente sabe o tanto que a gente é carinhosa, na minha família. Jamais nenhuma de nós faria isso. Não teve abandono. Foi uma questão que ela estava inconsciente. Está acontecendo um monte de coisa”, disse Flávia Fructuoso.

Para ela, toda a família está preocupada. “Nesse momento o que minha irmã precisa não é de mensagens de ódio, o que ela precisa é de apoio pra gente conseguir ficar com o neném”, disse ela.

A expectativa de Flávia e das irmãs é que tanto a adolescente quanto a criança saiam juntas do hospital. “O que a gente tem para esse bebê é só amor. A gente quer cuidar para ela crescer” disse.

Para a irmã, há distorção sobre o que aconteceu no dia que a criança nasceu. “Ela não foi abandonada. Minha irmã só consegue chorar. Querendo a filha dela. Ela só consegue fazer isso”, disse.

De acordo com o depoimento na rede social, Flavia garante que a irmã teria sido separada da filha. “Ela ganhou a bebê sozinha, no chuveiro. Ela correu pro UPA, desmaiou, perdeu muito sangue. No UPA fizeram a separação dela e da bebê. Acabou que levaram ela para a Vila, e foram coisas diferente. Deu a entender que ela abandonou a criança”, disse. 

Segundo o delegado Regis Germano, o registro inicial da ocorrência era sobre abandono. “Foi registrado um boletim de abandono de incapaz. Segundo as informações prestadas, um adolescente estava caminhando pela rua e encontrou uma criança, um recém-nascido numa caixinha e levou esse recém-nascido para o hospital. O hospital imediatamente comunicou a Guarda Municipal que levou o fato e registrou a Central de Flagrantes”, disse.

“Nós descobrimos depois que a história não era bem essa. Nós descobrimos a mãe da criança e em conversa com ela, ela alegou que tem 17 anos e que namoro o pai da criança de 16, e que ela não sabia que estava grávida. Quando ela foi tomar banho, acabou expelindo a criança. Desesperado, o namorado junto com a irmã que é maior de idade, pegaram a criança, cortaram o cordão umbilical, e levaram na UPA do Putim. Só que lá, ao invés de contar a verdade, contaram outra história”, disse Régis.

Segundo o delegado, o inquérito foi aberto e será apurado se a versão dos dois é verdadeira. “São adolescentes e ficaram com medo, ou se houve uma tentativa de aborto ou não. Todo esse conjunto vamos levar agora”, disse o delegado.

Régis diz que vai requisitar laudos e saber no sistema de saúde se a jovem já havia feito exames anteriores.