O Brasil pediu ajuda à Argentina para localizar em seu território a presença de mais de 140 foragidos da Justiça pelos ataques em Brasília de 8 de janeiro de 2023, por seguidores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
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Há duas mulheres do Vale do Paraíba entre os foragidos que têm ordem de prisão expedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).
Alethea Verusca Soares, 49 anos, de São José dos Campos, e Letícia Santos Lima, 31 anos, de Taubaté, teriam se livrado das tornozeleiras eletrônicas e fugido para a Argentina e Uruguai.
Por meio da embaixada do Brasil em Buenos Aires, a Justiça brasileira enviou na sexta-feira (7) à chancelaria argentina um pedido para “verificar se 143 foragidos da Justiça brasileira estão localizados em território argentino”.
A PF (Polícia Federal) prendeu centenas de supostos vândalos, financiadores e incitadores dos ataques contra as sedes dos Três Poderes ocorridos uma semana após a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Alguns receberam condenações por crimes como golpe de Estado, com penas de até 17 anos de prisão.
Após ser presa e condenada a 16 anos e seis meses por abolição violenta do estado democrático de direito, golpe de estado, associação criminosa armada, dano qualificado e deterioração do patrimônio tombado, Alethea conseguiu a liberdade monitorada por tornozeleira eletrônica. No começo de janeiro deste ano, ela quebrou o aparelho e fugiu para o Uruguai, cruzando a fronteira em Santana do Livramento (RS).
Letícia é ré na ação penal e deixou o país em 4 de março após sua tornozeleira eletrônica parar de funcionar. Seus advogados alegaram que ela “foi buscar refúgio político em outro país”.
Na semana passada, a PF anunciou a recaptura de cerca de 50 pessoas relacionadas ao caso que haviam descumprido suas medidas cautelares. Mas indicou que outros 159 condenados ou investigados eram considerados fugitivos e poderiam até mesmo estar em outros países, incluindo a Argentina, segundo a imprensa brasileira.
A PF disse na sexta em nota à AFP que “irá listar todos os condenados que possivelmente estejam na Argentina e encaminhar, via Ministério da Justiça e Segurança Pública, os pedidos de extradição”.
“Tudo será feito em articulação com o Ministério das Relações Exteriores e o Supremo Tribunal Federal”, acrescentou a corporação.
O governo argentino negou no sábado ter conhecimento sobre a presença dos fugitivos.
“Ainda não temos nenhuma informação desse tipo, não temos alertas vermelhos sobre essas pessoas, (...) o Ministério da Segurança não recebeu nenhum tipo de solicitação, nem da Interpol, nem de pessoas, nem de nomes, nem de listas”, afirmou a ministra da Segurança, Patrícia Bullrich, à Rádio Mitre.
Em 8 de janeiro de 2023, milhares de bolsonaristas invadiram o Palácio do Planalto, o Congresso e o STF, exigindo uma intervenção das Forças Armadas que depusesse o presidente Lula e denunciando supostas fraudes nas eleições.
* Com informações do UOL