09 de julho de 2026
SÃO JOSÉ DOS CAMPOS

Sebastião Gualberto vira palco de mortes e problemas

Por Leandro Vaz | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Da redação
Leandro Vaz
Local onde concentram mais acidentes na avenida

“Foi muito forte. Eu ouvi o barulho. Quando vi ele já estava lá. Pessoal tentando reanimar ele”, disse uma testemunha que presenciou parte do acidente que matou o motociclista André Lopes, 40 anos, na avenida Sebastião Gualberto, região central de São José dos Campos. André seguia do trabalho para casa, quando foi fechado pelo motorista de um HB20. Ambos faziam o mesmo trajeto. Com a queda, André foi jogado contra um poste pequeno e morreu. “A gente acredita que ele tenha quebrado o pescoço”, disse o rapaz, que preferiu não se identificar. Ele e um grupo de amigos estavam em uma adega bem em frente ao local do acidente.

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A morte de André é a terceira nos últimos dois meses e meio no mesmo trecho da avenida. Ela é o principal ponto de ligação entre bairros da região leste e sul para a região norte. Quem não quiser passar pela Sebastião Gualberto, tem apenas o Centro. “Essa avenida é um problema sério. Ninguém respeita. É muita velocidade de carro, moto, caminhão. Ela não para”, disse Silvio Duarte, que mora na Vila Maria.

No dia 18 de março, um caminhão derrubou a fiação do local e provocou um acidente entre dois motociclistas. Um deles não resistiu aos ferimentos e morreu. No dia 19 de março, outro motociclista chocou-se contra a traseira de um caminhão e morreu num impacto violento.

“Depois que tiraram as muretas que dividiam as pistas, a situação ficou pior. Agora, os motoristas cruzam a faixa, pulam de um lado pro outro. Está um horror”, disse Silvio. No ano passado, as muretas foram trocadas por faixas contínuas, separando quem vai de quem vem.

A reportagem esteve neste sábado (1) na avenida. Em quase toda a extensão dela, o asfalto apresenta falhas e remendos, o que ocasiona oscilação para quem dirige. O motorista de 43 anos, que fechou André, disse em relato à Polícia Civil, que tentou desviar de um buraco. Na realidade é uma tampa de ferro que está abaixo do nível do solo. “Há muitos desníveis nesse trajeto. E infelizmente aconteceu mais um acidente fatal”, disse Malu Machado.

“São José dos Campos inteira está com essas tampas rebaixadas há anos e ninguém faz nada”, disse o motoboy Carlos Alberto Jr.

Além dos problemas no asfalto, as calçadas da Sebastião Gualberto estão em grande parte desniveladas, com buracos e falta de sinalização. Não há faixa de ciclistas.

OBRAS 

A avenida está contemplada num grande pacote de melhoria viária de São José dos Campos. Inicialmente, em abril do ano passado, a Prefeitura anunciou que o serviço custaria até R$ 200 milhões. No entanto, o projeto acabou desidratado. As obras que deixaram de integrar o pacote são: demolição e reconstrução do Viaduto dos Expedicionários e suas alças de acesso às avenidas Sebastião Gualberto e São José; demolições e construção de alça de retorno da Avenida Rui Barbosa para a Avenida Olívio Gomes; e readequação das alças de retorno do viaduto Professor Everardo Passos.

Das obras que permanecem no pacote, uma consiste na criação de uma terceira faixa de rolamento em ambos os sentidos da via e da Avenida João Marson até o cruzamento com a Avenida Juscelino Kubitschek. Um túnel de cerca de 100 metros será construído embaixo da Avenida Sebastião Gualberto, ligando a Avenida Teotônio Vilela à região norte. O Anel Viário terá uma faixa de acomodação para acesso direto ao túnel.

Também será construído um viaduto de cerca de 260 metros de extensão, que vai ligar as avenidas João Marson e Florestan Fernandes (Anel Viário) no sentido região sul. A Sebastião Gualberto ganhará uma nova alça de acesso que ligará a via à Avenida Olivo Gomes, o que eliminará a necessidade de conversão pela Rua Sebastião Felício, um dos trechos de congestionamento.