Em Aparecida para a sua 61ª Assembleia Geral, a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) incentivou a participação dos cristãos na política, ressaltou que a “democracia ainda precisa de cuidado” no Brasil e criticou o uso da fé por “interesse político”.
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As afirmações fazem parte da 'Mensagem ao Povo Brasileiro', tradicional carta divulgada pela direção da entidade durante a reunião anual do episcopado brasileiro, que acontece no Santuário Nacional de Aparecida. O encontro começou no dia 10 de abril e termina nesta sexta-feira (19).
Na mensagem, a CNBB disse que a democracia é “fundamental na vida do Brasil” e que “ainda precisa de cuidado”, passados sessenta anos do início da ditadura.
Sem citar diretamente o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), período em que foi um dos alvos da militância bolsonarista, a CNBB mencionou ataques à democracia, a preocupação com “extremismos” e incentivou a participação popular nas eleições.
“Depois do período de sistemáticos e ostensivos ataques, temos a oportunidade de fortalecê-la nas eleições municipais de 2024, através do voto consciente e livre”, afirmou a entidade. “Preocupa-nos que extremismos, desprezando o projeto de fraternidade social, façam do processo eleitoral um palco de intolerância e de ainda mais violência.”
DIÁLOGO
Contra a violência, os bispos indicaram a necessidade de se buscar o diálogo e o entendimento e defendeu as instituições brasileiras.
“O passado recente nos ensina que a busca de soluções para o Brasil passa necessariamente pelo diálogo e pelo entendimento. Muito do que superamos deveu-se à articulação entre agentes lúcidos e cidadãos compromissados com a vida, a democracia e o país. As instituições brasileiras e a sociedade civil são fundamentais nesse processo. Os três poderes da República são instados a viver o que preconiza a Constituição. Independência e harmonia não são opções de momento, são deveres permanentes e irrenunciáveis.”
A CNBB também revelou preocupação com a disseminação de notícias falsas e o uso da religião como instrumento de interesse político, além da liberdade de expressão sendo usada para a “divisão social”.
“O combate à desinformação, às mentiras e às fake news que, frequentemente, usam também a linguagem religiosa para justificar interesses políticos e econômicos escusos, nos exige maior capacidade de enfrentamento e melhores mecanismos para que não seja modificada a soberania do voto”, apontou a instituição.
“Como disse o Papa Francisco, a Inteligência Artificial corre o risco de ser rica em técnica e pobre em humanidade. A liberdade de expressão não pode estar a serviço da divisão social. A própria democracia é enfraquecida pelo ódio, o fundamentalismo e o populismo.”
Os bispos ainda pediram que se busque a paz ao invés das guerras. “Na sociedade do diálogo, a paz é um imperativo. Desejamos paz para os inúmeros países em guerra, cujas consequências são milhares de mortes e milhões de deslocados e refugiados. Os gastos militares em 2023 foram os mais altos desde a Segunda Guerra Mundial, enquanto a fome cresceu e alcança parcela significativa da população mundial”.
Meio ambiente, crise climática, direitos dos povos indígenas, precarização do trabalho e desigualdade social foram outros temas tratados pela CNBB na mensagem aos brasileiros. Leia a carta na íntegra clicando aqui.