11 de julho de 2026
BOA NOTÍCIA

Edinho está vivo! 'Graças a Deus', diz irmã de morador em situação de rua de São José

Por Da redação | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
Edinho está vivo e em tratamento

Vitória da vida.
Escrita ao longo de 43 anos, com páginas tingidas de dor e penúria, a história de Edson Camargo Pereira, de 43 anos, ganha um novo capítulo, ainda em branco, intitulado 'esperança'. Após meses de angústia, lágrimas e incerteza, a notícia que a família tanto esperava chegou: Edinho está vivo!

Símbolo do drama do crack, Edinho, conhecido morador em situação de rua da Vila Adyanna, área central de São José dos Campos, havia desaparecido no fim de 2023. A família, que buscou por ele por toda a cidade, chegou a pensar no pior, após o encontro de um corpo no rio Paraíba em janeiro.

Mas Edinho, contrariando os boatos que circulavam pelas ruas da cidade, está vivo!
A boa notícia foi transmitida a OVALE nesta terça-feira (27) pela irmã dele, que foi localizado pela família em uma clínica de reabilitação contra o vício do crack, na cidade de Taubaté.

"Graças a Deus é um alívio, saber que ele está vivo", afirmou Aline Pereira, irmã de Edinho, que é conhecido nas ruas por conta das cicatrizes de queimadura que carrega no corpo. A família já se comunicou com ele.

"Acabei de falar com ele [por vídeo], minha mãe também conversou. Perguntei quem internou ele lá, ele não sabe dizer quem foi, fala que foi uma mulher. Mas ele está bem, conversando, rindo, só estou tentando entender quem internou, a mulher que levou ele para a clínica ficou com o cartão dele, só devolveu recentemente. Vou lá ver ele, fazer uma visita", afirmou Aline.

Após a repercussão do caso, noticiado por OVALE, a família recebeu informações sobre o paradeiro de Edinho, assim como duas fotos, em que foi possível reconhecê-lo -- em tratamento, Edinho está mais forte, com o cabelo crescido.

"Na segunda passada, um rapaz passou por Caçapava e viu ele no mercado, tirou uma foto e mandou, perguntou se era ele. Vi que sim. Fui para Caçapava, eu e meu esposo, andamos por tudo, clínicas, albergue, delegacia, e não achei ele. Agora [dia 27], um rapaz me ligou e disse que ele estava em uma clínica em Taubaté, que uma mulher largou ele lá, dizendo que era irmã dele, e foi embora. Agora queremos desvendar quem deixou ele lá", disse Aline.

EDINHO.
Viciado em crack, Edinho é natural de São José e, de acordo com a família, tem um histórico de depressão, já tendo ateado fogo ao próprio corpo e tentado o suicídio. Para a irmã, a história dele serve como um alerta contra o uso de entorpecentes.

De acordo com a família, Edinho 'dava trabalho' desde criança, saindo de casa pela primeira vez aos 10 anos, por conta das más companhias e das drogas. "Desde criança eu me lembro da minha mãe chamando ele para ficar em casa, mas ele fugia de novo. Ele já foi internado várias vezes, em clínicas daqui [São José] e de São Paulo", disse Aline.

Ele não tem profissão, esposa ou filhos, sobrevivendo com o recurso que recebe da Loas (Lei Orgânica de Assistência Social), no valor atual de um salário mínimo (R$ 1.412). Aline destaca que o irmão, quando sóbrio, é carinhoso e adora crianças. "Ele é muito amável, quando está são, adora os sobrinhos dele, gostava de agradar as crianças, fazia uma festa com as crianças, não teve filho, mas era muito carinhoso", disse.

Aline conta que testemunhas, incluindo um funcionário da agência onde Edinho recebe seu benefício, afirmaram terem visto ele na companhia de um casal em um Fox vermelho, no final do ano passado. O casal teria tentado sacar o dinheiro de Edinho e fazer empréstimos em seu nome, em vão, alegando que iriam interná-lo em uma clínica. Agora, após a localização dele, a família quer descobrir quem foi responsável pela sua internação em Taubaté.