Onde está o Edinho?
Tantas vezes invisibilizado', ele desapareceu.
Quem frequenta a região da avenida 9 de Julho, no centro de São José dos Campos, pode não ligar o nome à pessoa, mas certamente já viu Edson Camargo Pereira, mesmo que seja fechando a janela do carro, para tentar ignorar a sua aproximação indesejada, ou através do véu da invisibilidade social, capaz de transformar dramas sociais em paisagem e, com indiferença, deixar-nos alheios à dor dos outros. Mas quem é ele?
Edinho, de 43 anos, é o nome do homem em situação de rua que tem o corpo marcado por queimaduras e vive na área da Vila Adyana. A família conta que ele desapareceu há cerca de um mês, após ter sido visto na companhia de um casal, em um Fox vermelho, que tentou sacar o benefício dele em uma agência bancária no centro da cidade.
Viciado em crack, Edinho é natural de São José e, de acordo com a família, tem um histórico de depressão, já tendo ateado fogo ao próprio corpo e tentado o suicídio. Para a irmã, a história dele serve como um alerta contra o uso de entorpecentes.
"As drogas, muitas vezes, são um caminho sem volta, muitas vezes a pessoa vai para experimentar, por curiosidade, e não conseguiu sair mais, conheço muitas pessoas assim, o Edinho, por exemplo", afirmou Aline, que há um ano perdeu uma irmã. "Agora somos só eu e o Edinho".
HISTÓRIA.
De acordo com a família, Edinho 'dava trabalho' desde criança, saindo de casa pela primeira vez aos 10 anos, por conta das más companhias e das drogas. "Desde criança eu me lembro da minha mãe chamando ele para ficar em casa, mas ele fugia de novo. Ele já foi internado várias vezes, em clínicas daqui [São José] e de São Paulo", disse Aline.
Ele não tem profissão, esposa ou filhos, sobrevivendo com o recurso que recebe da Loas (Lei Orgânica de Assistência Social), no valor atual de um salário mínimo (R$ 1.412). Aline destaca que o irmão, quando sóbrio, é carinhoso e adora crianças. "Ele é muito amável, quando está são, adora os sobrinhos dele, gostava de agradar as crianças, fazia uma festa com as crianças, não teve filho, mas era muito carinhoso", disse. Edinho chegou a morar com a mãe, no Rio de Janeiro, mas fugiu.
"Era assim, ele ficava, mas quando ficava nervoso também...o que tivesse na mão ele ia para cima, queria bater, não interessa se era a mãe dele, se era irmã. Mas quando ele estava são, sem droga, é uma pessoa excelente, mas ultimamente a gente via ele na rua e estava tão 'louco' de droga que nem reconhecia a gente, só falava bobeira", disse.
SUSPEITA.
Aline conta que testemunhas, incluindo um funcionário da agência onde Edinho recebe seu benefício, afirmaram terem visto ele na companhia de um casal em um Fox vermelho, no final do ano passado. O casal teria tentado sacar o dinheiro de Edinho e fazer empréstimos em seu nome, em vão, alegando que iriam interná-lo em uma clínica.
"Fui ao banco, conversei com o gerente, e ele [Edinho] foi visto [na agência] e em um outro banco com esse casal. Outras pessoas diferentes disseram que ele estava tentando fazer um empréstimo para esse casal, que disse que faria o empréstimo a pedido da irmã dele, mas não conhecemos eles", disse Aline. Se alguém tiver alguma informação ligar para (12) 98807-5740 (Aline) e (12) 98883-0556 (cunhado).
"A esperança é a última que morre, então, no fundo, eu penso que ele ainda pode estar vivo, para Deus nada é impossível", afirmou Aline, irmã de Edinho, que já procurou por ele no IML (Instituto Médico Legal), hospitais e clínicas de recuperação. "Mas às vezes vem aquele pensamento, de que alguém pegou ele, fez alguma maldade", disse ela.