11 de julho de 2026
DESAPARECIMENTO

‘Angústia sem fim’, diz filha de Rodrigo, desaparecido há 9 meses em São José

Por Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação
Rodrigo Corrêa de Andrade, a mulher e as três filhas (Beatriz está de preto, no meio entre as meninas)

Uma angústia sem fim.

É assim que Beatriz Alves, 24 anos, descreve o drama que a família passa com o pai, que está desaparecido há nove meses em São José dos Campos.

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O metalúrgico Rodrigo Corrêa de Andrade, 43 anos, saiu para trabalhar em 20 de abril do ano passado e não voltou mais para casa. Ele é funcionário de uma empresa no bairro Chácaras Reunidas, na zona sul de São José.

“Espero que tenham noção do quanto é triste para nós. Não é fácil. Precisamos de uma resposta. É uma angústia sem fim”, escreveu Beatriz nas redes sociais.

Rodrigo tem três filhas, sendo Beatriz a mais velha. As outras duas têm 18 e 10 anos, e também estão sofrendo muito pela falta do pai, além da mãe delas e mulher do metalúrgico.

Apaixonado por futebol e jogador amador em São José, Rodrigo é descrito pela filha como um pai responsável, zeloso e amoroso, que cuida da família e é muito trabalhador. Ele também vinha fazendo um tratamento contra a depressão antes de desaparecer.

SUMIÇO

Rodrigo saiu do trabalho no horário do almoço e retornou ao serviço, ficando dois minutos no local, acessando o vestiário.

De lá, ele foi de bicicleta, uniforme cinza e uma mochila preta até uma agência bancária na avenida Andrômeda, na zona sul. Ficou por volta de uma hora no banco e sacou R$ 800 da sua conta.

“Daí em diante não sabemos mais nada dele”, disse Beatriz. “É desesperador. Não temos nenhuma informação concreta. A família toda está sofrendo muito”.

VISTO EM LORENA

A família registrou boletim de ocorrência logo após o desaparecimento de Rodrigo. Os documentos dele foram bloqueados e imagens captadas pelas câmeras de segurança em São José podem ajudar a identificá-lo, caso ele apareça em algum canto da cidade.

Segundo a filha, um amigo do pai que é policial conseguiu rastrear o celular de Rodrigo dias depois do desaparecimento. O aparelho funcionou por três dias até não emitir mais sinais.

“O celular apontou que ele estaria em Lorena. O policial foi até o endereço, mas não o encontrou e nem ao aparelho. Três dias depois do desaparecimento, o celular desligou e não temos mais nenhuma informação sobre meu pai.”

Nas redes sociais, muitas pessoas dizem ter visto alguém parecido com Rodrigo circulando por São José. Beatriz disse que, até o momento, ninguém tirou uma foto ou deu uma informação concreta que pudesse ajudar a localizar o metalúrgico.

“O que intriga muito é ele não ter feito algum tipo de contato, porque era uma pessoa muito responsável. Ele é muito apegado à família. Ele iria passar alguma mensagem, de algum jeito. E isso nos deixa muito assustadas por não ter mensagem alguma”, disse a filha.

RENDA

Rodrigo era a principal renda da família, que enfrenta dificuldades financeiras desde o desaparecimento do provedor.

Beatriz contou que a mãe trabalha em portaria de prédio em dias alternativos. Nos dias que não trabalha, ela faz faxina no mesmo prédio. “O pessoal gosta dela e se sensibilizou”, disse.

“Eu ajudo como posso, já que tenho um filho pequeno e não tenho com quem deixar. Minha irmã do meio, de 18 anos, também trabalha e tem ajudado nas finanças agora que meu pai está ausente.”

DEPRESSÃO

Beatriz contou que o pai começou a apresentar sinais de depressão no começo de 2023, iniciando um tratamento após consultar um profissional. No entanto, ele deixou de tomar os remédios.

“Em janeiro de 2023, percebemos que ele estava se isolando, não conversava muito. Fomos à médica e ela passou alguns medicamentos. Ele não conseguia dormir. Ele tomou em fevereiro, mas deixou de tomar em março e não estava fazendo o tratamento. Pode ter dado um baque”, afirmou a filha.

A família disponibilizou o número de telefone (12) 98221-7520 para informações sobre o paradeiro de Rodrigo que levem ao encontro do metalúrgico. A informação que for útil poderá ser recompensada financeiramente.