Como eu nasci? Onde ficam os bebês prematuros? Qual o tamanho deles? Desde muito novo Miguel tem várias curiosidades sobre como ele viveu os seus primeiros meses de vida. Antes mesmo de saber falar, já ouvia sua mãe Shirlene Medeiros contar como era forte e corajoso. Com o tempo, suas curiosidades com a história ficaram ainda maiores e, apesar de tantas fotos dos dias de internações, Shirlene decidiu fazer ainda melhor e levar Miguel pessoalmente para conhecer um pouco de sua história no Hospital da Vila Industrial, em São José dos Campos.
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Na última sexta-feira (26), depois de oito anos, o pequeno voltou para o quarto da UTI neonatal onde ficou durante quatro meses e 12 dias de sua vida. Apesar de Miguel não ter lembranças daquela época, Shirlene contou sobre os momentos em que ela o colocava no colo e contava sobre o dia, o lugar onde o acalmava nas noites agitadas e as orações que ela e o pai do pequeno faziam para sua tão esperada alta.
A luta de Miguel não foi nada fácil. Ele nasceu com 26 semanas de gestação, pesando 765 gramas e com 31 centímetros. Com 15 dias de vida, o pequeno teve que ser submetido ainda a uma cirurgia cardíaca, e depois a uma traqueostomia. "Eu jamais imaginei que depois de oito anos eu estaria lá dentro de novo com ele para conhecer os bebês. Ele falava assim ‘mãe que pequenininho, dá vontade de apertar’. Essa visita foi muito boa tanto para ele quanto para mim”, disse Shirlene.
A visita do menino comoveu médicos e enfermeiros. Muitos reconheceram Shirlene e se admiraram de ver como Miguel está crescido. “Foi uma emoção ver o Miguel, deu uma sensação de dever cumprido, ver que ele fez parte de nossas vidas e nós da vida dele é muito gratificante”, disse Mônica Oliveira, técnica de enfermagem que cuidou de Miguel na UTI e é uma das pessoas que aparecem nas fotos da família, feitas há oito anos.
'MINHA FORÇA'
Na época, Miguel não foi o único que travou uma grande batalha, no tempo em que o pequeno ainda estava internado lutando pela sua vida, Shirlene descobriu que estava com câncer de mama. Foi então, que assim como o filho, a mãe precisou encontrar força para lutar. Ela de um lado e ele do outro.
“Nessas internações de idas e vindas da pediatria eu descobri o câncer, cheguei até a fazer uma cirurgia com o Miguel ainda internado. Foram dias muito difíceis e o que eu penso agora é que apesar de todas as dificuldades que passamos lá dentro, recebemos um carinho e cuidado muito grande da equipe. Tinha dias que eu não podia ficar com o Miguel na UTI e quando ele estava chorando a enfermeira ficava com ele no colo para acalmá-lo, mesmo no horário de descanso dela, são pessoas que estavam ali para tudo e estão até hoje”, contou.
Durante a visita, Shirlene também deu um testemunho de esperança às mães que assim como ela enfrentam internações longas e momentos difíceis na UTI neonatal e na pediatria. “Não é fácil passar por isso, parecia que a vida não ia voltar ao normal. Foram dias de conquistas e de tristeza pela gravidade da situação. Mas quero dizer às mães que isso passa e a recompensa vem, que tenham esperança e força”, disse.
Hoje, Miguel está no segundo ano do ensino fundamental e ainda usa a cânula da traqueostomia, Shirlene está realizando a última etapa do tratamento contra o câncer de mama e agora a família acredita que esse ano será de vitória para os dois. "Acho que em 2024 vamos dar mais um passinho para retirada da traqueo dele e eu estou no último ano de acompanhamento. Vamos ver o que Deus tem para gente esse ano", concluiu.
Shirlene e Miguel em 2016 - foto: divulgação