10 de julho de 2026
SITUAÇÃO DE RUA

VÍDEO: Escorpiões, baratas e percevejos infestam abrigo em Taubaté, afirmam moradores

Por Da redação | Taubaté
| Tempo de leitura: 5 min
Divulgação
Em um vídeo, abrigado captura escorpião

Escorpiões, baratas e percevejos estão infestando o abrigo municipal para pessoas em situação de rua de Taubaté, de acordo com vídeos e fotos recebidos por OVALE, além de relatos de pessoas abrigadas no local e ouvidas pela reportagem. Há casos de abrigados que já foram picados por escorpiões.

À reportagem, abrigados citaram ainda outros problemas, como lotação máxima, falta de funcionários e banheiros imundos. Em vídeos enviados a OVALE é possível ver o momento em que os próprios abrigados tentam capturar um escorpião que estava ao lado da cama de um idoso.

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O abrigo fica ao lado do cemitério no bairro Jardim Eulália e por esse motivo, de acordo com os abrigados, há uma infestação de insetos e animais peçonhentos.

Uma ex-abrigada, que preferiu não se identificar, afirmou ter decidido sair do abrigo depois de ter sido picada duas vezes por escorpiões e inúmeras vezes por percevejos. “Eu não estou mais morando lá, fui picada duas vezes por escorpiões enquanto estava dormindo, tive que parar no pronto-socorro”, afirmou.

Outro abrigado, que também preferiu não se identificar, comenta que ele e os colegas estão tomando remédios para minimizar a coceira da picada dos percevejos, mas que mesmo assim não está adiantando.

“Estou tomando remédio porque fui picado várias vezes, só que esse medicamento está me fazendo mal porque acelera o meu coração. Não tem mais como continuar aqui, nenhum ser humano consegue ficar nesse lugar. Queremos um lugar melhor para morar e dar um rumo na vida, voltar a trabalhar e ter uma vida melhor na sociedade”, comentou.

QUEIXAS 

Segundo os abrigados, além de estar lotado, o abrigo não oferece tratamento adequado para 13 idosos e quatro pessoas com necessidades especiais. “Têm dois que usam cadeiras de rodas, dois amputados e tem um que não consegue ir ao banheiro sozinho, ele cai o tempo todo e como tem essa dificuldade para andar, faz as necessidades na roupa e não tem ninguém para dar banho nele, nem os próprios funcionários, a gente que tem que colocar uma luva e dar banho se não ele fica sujo e os funcionários não estão nem aí”, disse um homem.

“Precisamos entender que essas pessoas necessitam de um cuidado especial, tem que ter compaixão com elas, esses idosos deveriam estar em um asilo onde tem um atendimento adequado. Tem um senhor aqui que todo dia acorda e fala para mim que não aguenta mais viver, que pede todos os dias para Deus levá-lo porque não aguenta mais viver nesse lugar, isso parte o nosso coração, somos seres humanos e pedimos socorro”, acrescentou.

Uma outra mulher relatou que está dormindo em uma cama no refeitório. “Tem muitas pessoas aqui, está muito cheio, não tem onde ficar. Quando chega uma pessoa nova e ela é idosa, por exemplo, eles nem dão banho, mesmo se ela estiver com mau cheiro e não conseguir fazer as coisas sozinha, eles a deixam do jeito que está e os próprios abrigados que ajudam”, contou.

                      Cama colocada no refeitório da unidade - Divulgação

OUTRO LADO

OVALE entrou em contato com a prefeitura que, por meio de nota, informou que o abrigo fica ao lado do cemitério -- e não dentro, como alegam os abrigados -- e recebe visitas periódicas da Vigilância Sanitária, tendo licença para funcionamento. “Também é realizada dedetização regularmente no local, sendo que esta semana será feita a dedetização do mês de janeiro. Referente ao aparecimento de alguns insetos, não é possível identificar o motivo concreto para tal”, disse a nota da prefeitura.

“A prefeitura não tem medido esforços para realizar a dedetização constante, sendo que a próxima ocorrerá dia 17 de janeiro. Ademais, está sendo reforçada a prática de higiene, incentivando a participação em palestras e atividades, tanto para os servidores que trabalham neste serviço, quanto aos usuários”, complementou a nota.

Em relação ao número de pessoas atendidas, o Poder Executivo informou que o abrigo tem atualmente 51 usuários acolhidos, sendo que a média varia de 48 a 53 usuários. “De acordo com o Censo SUAS 2023, a faixa etária varia, por mês, entre: Masculino: seis acolhidos de 18 a 21 anos; 34 acolhidos de 22 a 59 anos; 13 acolhidos de 60 a 73 anos. Feminino: três acolhidas de 18 a 21 anos; seis acolhidas de 22 a 59 anos; duas acolhidas de 60 a 79 anos”, relatou, acrescentando sobre o número de funcionários. “O quadro de RH do serviço conta com 26 funcionários, entre os quais: coordenadora; psicóloga, assistentes sociais, escriturário, monitor de artes, motorista, servente, GCMS, orientadores sociais e serventes que prestam serviços pela Milclean”, disse a nota.

Sobre os idosos da unidade não estarem em um asilo, a prefeitura informou que é observado que muitos idosos, principalmente usuários do sexo masculino, têm vínculos totalmente rompidos com seus familiares, contudo, em alguns casos, estes permaneceram em situação de rua por um longo período e dificilmente se adaptariam a uma instituição de longa permanência, por isso o trabalho no abrigo oferece autonomia a este idoso.“Com vista ao atendimento cada vez mais humanizado, é realizado trabalho para qualificar os profissionais por meio de capacitação, a qual é realizada regularmente”, diz outro trecho da nota.

Sobre a estrutura do abrigo, a prefeitura informou que a unidade que atende mais de 50 pessoas conta com quatro masculinos, um quarto feminino, um refeitório, três banheiros, uma cozinha, uma copa, uma área de serviço, quatro salas administrativas, uma área de convivência e um bagageiro.

Em relação a cama no refeitório, a Secretaria de Desenvolvimento e Inclusão Social informou que o Abrigo Municipal passa atualmente por reformas para ampliação do número de banheiros, lavandeira e dormitórios. Em razão disso, momentaneamente, algumas mudanças estão sendo executadas, como, por exemplo, o deslocamento de móveis para que fosse possível realizar as manutenções necessárias no local. "Essas mudanças foram realizadas para agilizar a execução das obras. Os móveis deslocados já estão em seus locais de origem", finalizou a nota.

VEJA VÍDEO

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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