11 de julho de 2026
DESPEDIDA

Carismático, esportista e paizão: Ton tinha carreira há 18 anos e 40 mil seguidores

Por Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação
Ton Frereira era apaixonado por capoeira

O cantor Ton Ferreira, 33 anos, de São José dos Campos, deixava boas impressões e fazia amigos por onde passava. Ele é descrito como uma pessoa carismática, alegre e que ama os filhos e a família.

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Na manhã desta sexta-feira (12), após cinco dias de desaparecimento, o cantor foi encontrado morto num terreno baldio no bairro Cajuru 1, na região leste de São José. Ton deixa mulher e quatro filhos – o mais velho tem 8 anos e o mais novo, dois meses.

Exame necroscópico do IML (Instituto Médico Legal) de São José vai determinar a causa da morte do cantor. A principal suspeita da polícia é que Ton, que se chamava Everton da Silva Ferreira, tenha tirado a própria vida.

No boletim de ocorrência, o caso foi registrado como “morte suspeita”. O caso é investigado pelo 6º Distrito Policial, na zona leste.

Com quase 40 mil seguidores nas redes sociais e agenda cheia de shows, Ton desapareceu no último domingo (7) após fazer uma apresentação em um bar no Campo dos Alemães, na zona sul de São José. Ele ainda apareceu em um vídeo feito numa rua de Taubaté, na tarde de domingo. Desde então, não foi mais visto.

Casada com Ton há nove anos e mãe de quatro filhos com o cantor, Adriele Stephanie Emboaba, 29 anos, registrou um boletim de ocorrência na segunda-feira (8) para pessoa desaparecida.

CARREIRA

Ela contou que Ton começou a carreira há 18 anos, meio por acaso. Ele acompanhava o irmão Will Ferreira, que também é músico, quando faltou uma cantora na banda. Ton resolveu encarar o palco e não saiu mais de lá.

O próprio cantor comentou a longa carreira em uma postagem no Instagram, quando comemorou 18 anos de estrada.

“Começando lá com meus 15 anos com a ajuda e um empurrãozinho do meu irmão. Passando por bandas de bailes, duplas, passei pelo sertanejo e ali as coisas cresceram. Tive a honra de gravar com um dos maiores produtores do Brasil, William Santos, e ter a participação do grande cantor e compositor Rodrigo Reys na minha música de trabalho”, escreveu Ton.

Sertanejo, forró, piseiro e até axé. Segundo a mulher, Ton é versátil em cima do palco e procura os ritmos do momento para manter a carreira, que é a principal fonte de recursos para a família. “Sertanejo, forró, piseiro, axé no carnaval. Ele vive da música, é o sustento da casa e a principal atividade profissional”, disse Adriele.

DOM DE CANTAR

Ton também falou sobre a carreira em uma postagem na internet: “Viajei muito, e trabalhei muito até aqui. Tropecei, sim, fiz merdas, mas caí e me levantei mais forte. A música faz parte da minha vida e hoje, tenho certeza, Deus me deu esse dom para levar alegria a vocês”, escreveu.

Segundo Adriele, o marido era uma “pessoa alegre e amigo de todo mundo”. Carismático, ele se destacava por onde passava, sempre puxando conversa até com quem não conhecia. Também era esportista, sendo contramestre na capoeira e praticante de artes marciais.

“Ele tem um ímã com crianças e cachorros, é a energia positiva que ele passa, tem amigos no capoeira, no jiu jitsu, boxe, na música, na polícia, na prefeitura, na política. Ele se encaixa fácil nos ambientes que frequenta”, afirmou a mulher.

Contudo, uma sombra ofusca a carreira do joseense. Segundo Adriele, ele já tinha enfrentado uma depressão severa. “Ele absorvia muito os problemas dos outros para si, até brigava com ele por causa disso. A depressão foi um pouco por isso. Ele começou no jiu jitsu há dois anos para lidar com esse estresse”.

Ao lado da depressão, a mulher teme que Ton possa ter consumido bebida alcoólica que, segundo ela, o fazia ter problemas emocionais.

“Ele ficou um ano sem beber e já aconteceu de beber e passar a noite fora de casa, mas nunca como agora. Ele é epilético e toma remédio anticonvulsivo, e já teve depressão. A gente fica muito preocupada se ele beber. Não sabemos o que pode acontecer”, disse Adriele.

Ela manteve a esperança de encontrá-lo com vida até o último minuto, antes de receber a confirmação da morte do marido. “A gente sempre nunca pensa no pior”, disse.