As buscas pelo helicóptero modelo Robinson R44 que sumiu enquanto viaja de São Paulo para Ilhabela, no último dia do ano passado, seguem sem encontrar vestígios da aeronave e nem dos passageiros.
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No início da segunda semana de buscas, a FAB (Força Aérea Brasileira) completou 75 horas de voo pela região atrás do helicóptero, que desapareceu com o piloto e três passageiros a bordo. As buscas têm sido feitas, segundo a FAB, mesmo "prejudicadas pelas condições meteorológicas e pelo relevo montanhoso na região".
Também participam das buscas o Comando de Aviação da Polícia Militar, o Cavex (Comando de Aviação do Exército) e a Polícia Civil. No final de semana, um helicóptero militar da FAB – modelo H-60 Black Hawk – foi incorporado à operação, que é liderada pelo avião SC-105 Amazonas, especializado em busca e salvamento e que leva 15 tripulantes.
Até o momento, nenhum vestígio do helicóptero ou dos passageiros foi encontrado na região. A área total de buscas é de cinco mil quilômetros quadrados, especialmente na Serra do Mar entre Paraibuna e Caraguatatuba.
Estavam no helicóptero o piloto Cassiano Tete Teodoro, 44 anos, Luciana Rodzewics, 46 anos, Letícia Ayumi Rodzewics, 20 anos (filha de Luciana), e Raphael Torres, 41 anos.
A aeronave saiu do aeroporto Campo de Marte, em São Paulo, no domingo (31), por volta de 13h, e seguia para Ilhabela para a virada de ano. Após cerca de duas horas de voo, o helicóptero perdeu contato e desapareceu.
ANTENA DE CELULAR
A Polícia Civil instalou uma base móvel de monitoramento em Paraibuna para concentrar os trabalhos de investigação, que conta com drones.
Nesta segunda-feira (8), oitavo dias de buscas, policiais civis iriam concentrar a procura em um raio de 10 quilômetros ao entorno de uma antena de celular instalada em Paraibuna, às margens da Rodovia dos Tamoios.
Foi essa antena que captou o sinal de celular de Luciana. Segundo a Polícia Civil, o aparelho dela emitiu sinal até as 22h14 de 1° de janeiro, mais de 30 horas após a decolagem em São Paulo.
A topografia montanhosa da área de buscas e o clima chuvoso dificultam a procura pelo helicóptero, segundo tenente-coronel Emanuel Garioli, comandante do Esquadrão Pelicano da FAB, responsável pelas buscas.
“Normalmente, quando somos acionados em busca, a meteorologia não é favorável. Temos também um relevo montanhoso e a Mata Atlântica densa. Junto com isso, ainda temos uma aeronave pequena e na cor cinza”, disse o oficial em entrevista à CNN.
Segundo ele, ao encontrar uma situação desfavorável durante a rota – como a presença de nuvens –, o piloto, normalmente, não segue em linha reta ao seu destino. “Ele tenta desviar desse tempo ruim”, disse o militar.
Esses possíveis desvios fazem com que a FAB trabalhe em uma área muito grande para fazer as buscas.
DIFICULDADE
Outra dificuldade é que o helicóptero que desapareceu tem a cor cinza, o que prejudica avistá-lo em meio à vegetação.
“O helicóptero é cinza, e se ele tiver debaixo das árvores, uma vegetação espessa, fica muito mais difícil o trabalho visual, por mais que a gente seja treinado para isso e estejamos voando baixo. A operação é como procurar uma agulha no palheiro”, disse o major Joscilênio Fernandes, da Polícia Militar.
Uma das pistas seguidas pelos militares vem da mensagem que Raphael Torres enviou para o filho adolescente na tarde de domingo (31). Ele disse que o tempo estava ruim em Ilhabela e que a aeronave tentaria pousar em Ubatuba.
Familiares de Torres vieram para Paraibuna colaborar com as buscas. Eles estão usando um drone e tentando fazer um percurso de busca diferente do que faz a Polícia Civil, para tentar mapear o maior número de áreas possíveis no menor tempo.
A Polícia Civil também já localizou o local no qual o helicóptero fez um pouso de emergência em Paraibuna, numa área de mata, para depois decolar e desaparecer por completo.