U m ano atrás, milhares de golpistas invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes, em Brasília. A turba, formada por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro que estavam descontentes com o resultado da eleição de 2022, tentava usar a força para romper com a democracia. Para o bem do país, o ataque fracassou. Mais de duas mil pessoas foram detidas.
Ao longo dos últimos 12 meses, os ataques golpistas foram investigados em procedimentos instaurados pelo STF (Supremo Tribunal Federal), pelo MPF (Ministério Público Federal), pela PF (Polícia Federal), pela Abin (Agência Brasília de Inteligência) e pela Polícia Civil. Por um lado, houve avanço. Por outro, os resultados ainda deixam a desejar.
O lado positivo é referente ao avanço ocorrido com relação àqueles que, em uma investigação, são chamados de peixes pequenos. Até agora, 30 extremistas foram condenados pelos crimes de associação criminosa, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado e deterioração de patrimônio tombado. Outros 200 denunciados pelos mesmos delitos aguardam julgamento.
Atualmente, 66 pessoas seguem presas - 8 foram condenadas, 33 foram denunciadas como executoras dos crimes praticados nos atos e 25 são investigadas por financiar ou incitar os delitos.
O lado negativo está na falta de identificação e de punição dos peixes maiores. Ainda faltam ser identificados, por exemplo, alguns dos principais financiadores dos atos - as pessoas que, entre outras coisas, alugaram os ônibus que levaram milhares de pessoas para Brasília.
Com relação às Forças Armadas, que tiveram atuação bastante questionada antes e durante os atos golpistas, apenas oito procedimentos internos foram instaurados pelo Exército. E somente dois militares foram punidos por transgressões disciplinares - um ficou preso três dias e o outro recebeu uma advertência.
Outra apuração que ainda não avançou como deveria é sobre a responsabilidade de Bolsonaro. O ex-presidente é investigado no inquérito sobre a autoria intelectual dos atos, que ainda não foi concluído.
As instituições precisam lembrar que a não responsabilização dos envolvidos será um convite para que atos golpistas voltem a se repetir.