O Vale do Paraíba registra 108 ocorrências de acidentes e incidentes aeronáuticos entre 2007 e 2023, segundo a série histórica do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), órgão que pertence à FAB (Força Aérea Brasileira). As ocorrências envolveram 109 aeronaves.
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Desse total, 24 acidentes e incidentes ocorreram no Litoral Norte, sendo 19 em Ubatuba, três em São Sebastião e dois em Caraguatatuba.
Ao menos quatro pessoas morreram nas ocorrências aéreas no Litoral Norte, sendo dois óbitos em Ubatuba (avião Piper Seneca e helicóptero Robinson R44) e dois em Caraguatatuba (helicóptero Robinson R66). As mortes ocorreram em 2013, 2019 e 2021.
Ainda segundo o Cenipa, o Brasil acumula 8.778 acidentes e incidentes aeronáuticos desde 2007, que envolveram 8.881 aeronaves e causaram a morte de 853 pessoas. O estado de São Paulo concentra a maior parte dos registros: 2.101 ocorrências e 2.136 aeronaves.
HELICÓPTERO DESAPARECIDO
As estatísticas de acidentes aeronáuticos da RMVale podem aumentar em razão do desaparecimento de um helicóptero modelo Robinson R44, que sumiu dos radares após decolar do aeroporto do Campo de Marte, em São Paulo, com destino a Ilhabela no último domingo (31). O piloto e três passageiros estavam a bordo.
A FAB (Força Aérea Brasileira) e o Comando de Aviação da Polícia Militar procuram pela aeronave desde a segunda-feira (1º), com mais de 40 horas de operação. O Corpo de Bombeiros segue de prontidão para ser acionado a qualquer momento e realizar buscas terrestres.
Durante a semana, os militares encontraram destroços em uma área de mata e descartaram que fossem do helicóptero desaparecido.
O mesmo ocorreu com um corpo de um homem encontrado na represa de Natividade da Serra. Em estado de decomposição, o corpo foi enviado para exames em Taubaté. A SSP (Secretaria de Estado da Segurança Pública) negou ligação com a aeronave desaparecida.
PASSAGEIROS
O piloto Cassiano Tete Teodoro, 44 anos, e as passageiras Luciana Rodzewics, 46 anos, e Letícia Ayumi Rodzewics, 20 anos, que são mãe e filha, mais o amigo Raphael Torres, 41 anos, estavam no helicóptero que desapareceu.
Familiares mantêm viva a esperança de que eles possam ser encontrados com vida. Eles acreditam que a aeronave possa ter feito um pouso de emergência numa área de mata e que os ocupantes estejam perdidos, sem possibilidade de comunicação.
Troca de mensagens entre os passageiros e familiares durante o voo, além de vídeos feitos no helicóptero, mostram que o piloto enfrentava dificuldades com as condições climáticas. Chovia e havia muitas nuvens no trecho da Serra do Mar.
Em ligações para o heliponto de Ilhabela, onde pretendia pousar, o piloto Cassiano Tete Teodoro disse que não conseguia subir acima das nuvens e encontrar uma rota mais fácil para o arquipélago.
SERRA DO MAR
OVALE apurou que os helicópteros monomotores costumam cruzar a Serra do Mar no ponto mais baixo, chamado de Fazendinha, cuja altitude é de 3.200 pés – menos de um quilômetro. Nesse ponto, as aeronaves costumam cruzar entre a serra e as nuvens.
“Creio que ele estava numa situação difícil, cercado de nuvens, como num labirinto. Ele não estava conseguindo subir acima das nuvens, onde a condição estava boa. Se chegasse a 5.000 pés, o tempo estava maravilhoso”, disse Jorge Maroum, piloto e proprietário do Heliponto Maroum, em Ilhabela.
Segundo piloto ouvido pela reportagem, más condições do tempo obrigam a fazer o voo por instrumentos, sem contato visual. Porém, em razão de ser um modelo mais simples, o helicóptero Robinson 44 não era homologado para esse tipo de voo.
Para o piloto, sem contato visual por causa do clima, a aeronave pode ter batido em um morro ou caído por falta de combustível.