11 de julho de 2026
SÃO JOSÉ

Caso Fox: defesa diz que polícia manipulou imagem para pedir prisão e critica lacradores

Por Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
Umberto Ghilarducci é procurado pela polícia pelo ataque e morte de Fox

A defesa do tutor do bull terrier que atacou o spitz alemão Fox em São José dos Campos alega que a polícia usou imagem de câmera de segurança de forma “maliciosa” para pedir a prisão preventiva do dono do cão – ambos são procurados pela polícia.

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Umberto Vieira Ghilarducci, 43 anos, teve a prisão preventiva decretada após o ataque do cão dele ao cãozinho Fox, em 9 de outubro. Fox morreu em 25 de outubro em decorrência das lesões.

Em sua defesa, Umberto admite o ataque, mas nega que tenha atiçado o animal a atacar Fox. Ele segue foragido.

IMAGENS

Em pedido de revogação da prisão preventiva, que foi negado pela Justiça, a defesa de Umberto aponta uso supostamente equivocado de imagens de câmeras de segurança do entorno do local do ataque, no bairro Jardim América, na região sul de São José dos Campos.

“A autoridade policial utilizou ‘uma das imagens’, recortada de outra captação de câmera, como se fosse o registro imediato anterior ao ataque do cão Mancha ao sptiz, dando azo à suposição de que o Paciente teria ‘atiçado’ seu cão contra o outro”, escreveu o advogado Luiz Antonio Lourenço da Silva, também conhecido como ‘Chacrinha’. Ele ainda criticou os 'lacradores de plantão' que 'acusam sem saber da verdade'.

“Mas a ‘maliciosa’ captação de ‘um take’ do filme leva a uma conclusão totalmente equivocada sobre o momento que antecedeu o ataque, visto que tal imagem foi retirada de um contexto totalmente diverso da integralidade daquele registro”, completou.

A cena indicada pela defesa mostra Umberto e um amigo levando o bull terrier por uma rua do bairro. O cachorro tenta avançar sobre outro animal e é contido pelo tutor.

CONTEXTO

A defesa diz que o contexto em que a imagem ocorreu foi usado de forma “equivocada” pela polícia, para “convencer” a Justiça a decretar a prisão preventiva.

“A autoridade policial atribui o registro [imagem] como se fosse o local em frente a residência da tutora do animal atingido, o que não corresponde com a verdade, visto que esta imagem foi retirada ‘a seu bel prazer’ de uma filmagem que demonstra o Paciente e seu cão, distante muitos metros antes da localização do imóvel da tutora do Spitz”, diz trecho da defesa de Umberto.

Segundo a defesa, as imagens das câmeras não mostram o momento anterior ao ataque do Fox, mas o posterior, depois que o ataque ocorreu.

“O registro de ‘suposto momento anterior’ ao ataque ao cão Spitz, recortado de uma sequência de imagens, onde na verdade, registra a movimentação do cão Mancha, ‘enquanto passava’ por outras pessoas que estavam acompanhadas de seus animais, e não como imagem prévia ao lamentável ataque, tido pela autoridade policial como prova material da ‘incitação e atiçamento’ do cão Mancha ao Spitz”, diz trecho da defesa do tutor do bull terrier.

“Como se vê nas imagens, o Paciente em companhia de seu amigo Vinicius, conduz o cão, desviando do aglomerado de pessoas com seus pets e mesmo com a manifestação de ‘curiosidade’ dos demais animais que se encontravam sob a proteção de seus tutores, não se retrata qualquer ato de ‘atiçamento’ do cão.”

NEGADO

Por fim, a defesa sustenta que a imagem foi “maliciosamente indutora de presunção de que o Paciente teria ‘atiçado’ seu animal para ataque no spitz”.

A tese da defesa de Umberto, no entanto, não foi acatada pela Justiça, que negou o pedido de revogação da prisão preventiva do acusado, tanto na primeira instância em São José dos Campos quanto no Tribunal de Justiça de São Paulo.

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