Clima de deserto.
O Vale do Paraíba entrou em alerta máximo para onda de calor na última semana, por indicação do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia).
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As temperaturas podem subir até 5°C acima da média, o que pode provocar problemas graves de saúde, principalmente em crianças e idosos.
Classificada como de “grande perigo”, a condição do clima afeta todos os 2,50 milhões de habitantes do Vale.
CALOR EXTREMO
Em São José dos Campos, por exemplo, os termômetros marcaram 40ºC na última semana. Guaratinguetá chegou a 39ºC. Taubaté e Jacareí também registraram altas temperaturas nos últimos dias.
O clima exageradamente quente ainda pode provocar consequências como tempestades seguidas por raios, queda de granizo e rajadas de vento intensas, o que fez a Defesa Civil do Estado a emitir alertas para a região.
De acordo com o órgão, a soma do calor com a umidade proveniente da Amazônia e a passagem de uma frente fria criaram condições para pancadas de chuva forte em todo estado de São Paulo.
AQUECIMENTO GLOBAL
E não só. Em todo o país, mais de 116 milhões de pessoas estão em áreas com alerta máximo para a onda de calor, que atingiu mais de 2.700 cidades em 15 estados e o Distrito Federal. Mais da metade da população do país – cerca de 57% – está sujeita ao problema.
“Todo tipo de evento extremo já está acontecendo no país, com recordes de chuvas e aumento do nível do mar, que ficou dois metros mais alto. São fenômenos que tendem a aumentar. No Brasil, começamos a perceber aumento de 50% nos eventos extremos de todos os tipos em comparação com meados do século passado. E isso pode piorar”, disse o climatologista Carlos Nobre.
Segundo ele, a explicação científica para tais fenômenos é o aquecimento global. A temperatura global já subiu quase 1,2ºC desde o século 19, e 80% desse crescimento se deu desde a década de 1960.
“O aquecimento global não provoca apenas o aumento na frequência desses eventos, mas também o impacto provocado por eles. Tivemos em fevereiro deste ano as maiores chuvas já observadas no Sudeste do Brasil em 24 horas. Isso tem tudo a ver com as mudanças climáticas”, afirmou Nobre.
MAIS CALOR
Em São José dos Campos, estudos conduzidos por pesquisadores apontam aumento de até três graus nas temperaturas máximas da cidade ao longo das últimas três décadas, provocando o surgimento de ‘ilhas de calor’ dentro do município. Tais pontos tiveram urbanização acelerada e perderam grande parte da vegetação nativa.
O impacto no clima se dá pela troca de áreas verdes por asfalto, concreto e estruturas metálicas, usadas na construção de casas e fábricas. O aumento do calor modifica a circulação dos ventos e a umidade. Materiais impermeáveis como asfalto e concreto fazem a água da chuva evaporar do solo rapidamente, reduzindo o resfriamento.
Segundo o meteorologista e professor Jojhy Sakuragi, os resultados revelam que São José sofreu uma “disparada de temperatura” e que a cobertura vegetal é “imprescindível para minimizar os efeitos deste aquecimento”.
ÁRVORES
A melhor sombra do mundo está aos pés de uma árvore. Jojhy Sakuragi, meteorologista e professor da Univap, explica que as árvores perdem água durante o processo de captação de gás carbônico. Isso faz com que o ambiente ao redor delas fique mais úmido e, consequentemente, mais fresco.
“As árvores transpiram para produzir energia e resfriam o ar ao redor delas”, diz. Quer a prova? Compare a sombra de uma árvore com a de um telhado. “A primeira é muito mais fresca”, afirma Sakuragi. Portanto, investir no plantio de árvores é a melhor maneira de equilibrar o clima em uma cidade.
A cidade de São José conta com cerca de 80 mil árvores em áreas urbanas, e a meta da prefeitura é aumentar a cobertura.
“Considerando que a arborização urbana eleva o bem-estar físico e mental da população, o plantio de árvores é uma ótima solução para reduzir os impactos das mudanças climáticas. Por isso, a Prefeitura de São José dos Campos está realizando o plantio de 5.000 árvores em áreas urbanas”, disse Marcelo Manara, secretário de Urbanismo e Sustentabilidade de São José.