A última versão do edital lançado pela Urbam (Urbanizadora Municipal) prevê custo médio de até R$ 6,281 milhões pela locação de cada um dos 400 veículos elétricos que devem operar no transporte público de São José dos Campos.
O cálculo feito pela reportagem leva em consideração o valor máximo de R$ 2,512 bilhões a ser gasto com a locação dos ônibus em 15 anos – o edital, com valor máximo de R$ 2,846 bilhões, reserva outros R$ 333 milhões para a manutenção dos veículos.
O valor máximo de locação varia de acordo com o modelo do veículo. No caso dos 164 ônibus de modelo básico (capacidade para 70 passageiros), o custo unitário será de até R$ 5,5 milhões. Em relação aos 212 veículos modelo padron (80 passageiros), de R$ 6,5 milhões. E no caso dos 24 articulados (120 passageiros), de R$ 9,6 milhões.
COMPARATIVO.
Essa já é a quarta versão do edital lançada pela Urbam, que é uma empresa controlada pela Prefeitura. Esse ano, no processo em que a terceira versão do edital foi barrada, órgãos técnicos do TCE (Tribunal de Contas do Estado) apontaram ausência de comprovação da viabilidade econômica da proposta. Um dos argumentos foi de que a estatal não justificou por que seria mais vantajoso alugar os veículos, em vez de comprá-los por R$ 1 bilhão - a estimativa foi de que o custo médio, para aquisição, seria de R$ 2,5 milhões por ônibus.
O governo de Goiás, que inspirou o modelo adotado em São José, anunciou em agosto que desistiu de alugar veículos elétricos, e que vai comprá-los - pagará R$ 3,4 milhões por ônibus articulado. A Prefeitura de São Paulo prevê gastar R$ 8 bilhões para comprar 2.600 veículos elétricos, de diferentes modelos - um valor médio de R$ 3 milhões por ônibus.
Mesmo a Prefeitura de São José, anos atrás, optou por comprar ônibus elétricos: em 2020, pagou R$ 2,89 milhões por cada um dos 12 VLPs (Veículos Leves sobre Pneus) da Linha Verde - esses modelos são articulados.
SEM COMENTÁRIO.
Na última terça-feira (24), a reportagem encaminhou uma série de questionamentos para a Secretaria de Mobilidade Urbana e para a Urbam sobre a viabilidade econômica da locação dos veículos, mas não houve resposta.