11 de julho de 2026
DESESPERO

'Se não for recontratado não sei o que fazer', diz demitido da GM com esposa com câncer

Por Lara Salles | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 2 min
SindmetalSJC/Divulgação
Demitidos penduraram camisas em ato contra os cortes nesta quarta-feira (25)

Um ex-funcionário da General Motors de São José dos Campos, que depende do salário da empresa para cuidar da casa e garantir o tratamento da esposa com câncer de mama, afirma não saber mais o que fazer caso não seja recontratado. O homem, de 40 anos, que preferiu não se identificar, trabalhou na GM por 13 anos e disse que ficou surpreso com a notícia

"Minha esposa começou a radioterapia pelo convênio na sexta-feira e no sábado recebemos o comunicado da demissão. Foi um susto, até agora não sei o que fazer. Ela precisa de acompanhamento médico diário devido aos problemas que teve por causa da quimioterapia. Em agosto ela chegou a ficar intubada por um problema na tireóide e ainda está se recuperando. Sem o plano fica tudo muito caro, já compramos os medicamentos e ela tem uma rotina semanal com médicos, fisioterapeutas, e exames para realizar. Se não formos recontratados não sei o que fazer", contou.

O homem foi um dos vários funcionários presentes em uma manifestação realizada nesta quarta-feira (25) na portaria da GM. A iniciativa é um ato de revolta e de apelo dos 800 funcionários para serem recontratados.

O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos informou que um novo ato será realizado na quinta-feira (26), às 9 horas, na sede que fica na Rua Maurício Diamante e seguirá pelo centro da cidade.

Sobre o assunto, o vice-presidente do Sindicato, Valmir Mariano, reforçou que a greve continua e sem previsão para acabar. “O varal de uniformes simboliza a luta em defesa dos empregos e chama a atenção da sociedade para que todos se unam a essa mobilização. Seguiremos firmes na greve e na batalha para cancelar os cortes arbitrários”, afirma.

REUNIÃO COM GOVERNO

Após cobrança dos sindicatos dos metalúrgicos que representam os trabalhadores da GM em São José dos Campos, São Caetano do Sul e Mogi das Cruzes, o Governo de São Paulo agendou uma reunião com as entidades. O encontro foi realizado nesta quarta-feira (25), às 17 horas, com o secretário da Fazenda e Planejamento de São Paulo, Samuel Yoshiaki Oliveira Kinoshita. As entidades informaram que ainda aguardam retorno sobre a reunião com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Os três sindicatos também enviaram carta ao governo Lula (PT), solicitando reunião com a Presidência e o Ministério do Trabalho em caráter de urgência para discutir medidas em socorro dos trabalhadores.