11 de julho de 2026
PARALISAÇÃO

Metalúrgicos da GM de São José aprovam greve a partir de segunda contra demissões

Por Da redação | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação / Roosevelt Cássio / Sindicato dos Metalúrgicos
Trabalhadores participam de assembleia na sede do sindicato

Os metalúrgicos da General Motors de São José dos Campos decidiram entrar em greve a partir desta segunda-feira (23). A mobilização será por tempo indeterminado na fábrica.

A decisão foi tomada em assembleia neste domingo (22), que reuniu os trabalhadores em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, na região central da cidade.

Segundo a entidade, a condição para a volta ao trabalho é o cancelamento de todas as demissões que foram comunicadas no sábado (21), por meio de telegramas e e-mails. Os trabalhadores também exigem estabilidade no emprego e manutenção dos postos de trabalho.

Além dos trabalhadores de São José, a greve foi aprovada nas unidades da GM em Mogi das Cruzes e São Caetano do Sul.

LAYOFF

Em São José, informou o sindicato, a GM tem um acordo de layoff firmado em junho que garante estabilidade no emprego até maio de 2024.

“O acordo, portanto, foi quebrado e as demissões foram feitas sem qualquer negociação prévia com o Sindicato, contrariando legislação que exige essa medida em caso de cortes em massa”, disse o sindicato.

Até agora a empresa não informou quantos trabalhadores foram demitidos, mas há confirmações de que entre eles estão mulheres grávidas e pessoas com problemas de saúde.

PARALISAÇÃO

Com a greve aprovada neste domingo, o sindicato disse a produção da fábrica estará 100% paralisada na segunda. Haverá uma assembleia unificada na porta da GM, a partir das 5h30, com trabalhadores dos três turnos.

A GM de São José possui cerca de 4.000 trabalhadores, sendo que 1.200 estão em layoff. A fábrica produz os modelos S-10 e Trailblazer, além de motores e transmissão.

“Está declarada a guerra pelo cancelamento das demissões. O que a GM fez foi uma covardia e absoluto desrespeito aos trabalhadores e ao acordo assinado. Não vamos tolerar nenhuma demissão sequer. Vamos exigir dos governos federal e estadual medidas imediatas pelo cancelamento das demissões”, disse o vice-presidente do sindicato, Valmir Mariano.

O sindicato também defendeu a redução da jornada de trabalho sem redução de salário na fábrica.

“Não existe crise na GM. O que existe é um processo de reestruturação da montadora em todas as suas unidades, no mundo. Nos Estados Unidos, os companheiros da GM estão em greve há um mês, por melhores salários e direitos. Em São José dos Campos, também reivindicamos a redução da jornada sem redução de salário”, disse Luiz Carlos Mancha, dirigente da CSP-Conlutas.

OUTRO LADO

Procurada, a GM confirmou as demissões e disse que foram motivadas por queda nas vendas e nas exportações, mas não informou o número de pessoas que serão desligadas.

"A queda nas vendas e nas exportações levaram a General Motors a adequar seu quadro de empregados nas fábricas de São Caetano do Sul, São José dos Campos e Mogi das Cruzes”, informou a GM.

“Esta medida foi tomada após várias tentativas atendendo as necessidades de cada fábrica como, lay off, férias coletivas, days off e proposta de um programa de desligamento voluntário. Entendemos o impacto que esta decisão pode provocar na vida das pessoas, mas a adequação é necessária e permitirá que a companhia mantenha a agilidade de suas operações, garantindo a sustentabilidade para o futuro."