Amor.com tragédia.
Cheia de vida, a professora Helena Cristina da Silva André, 48 anos, acreditava ter se conectado a um grande amor. Como? Via internet. Ela, moradora de São José dos Campos, jamais poderia imaginar que o namoro iniciado nas redes era o início de uma trama macabra, orquestrada por aquele que lhe fazia juras de amor.
De acordo com a Polícia Civil, Helena foi morta pelo namorado e por um comparsa, que roubaram o dinheiro que ela havia obtido com a venda de um imóvel na cidade. O namorado confessou o crime, segundo a polícia. O comparsa, negou.
Segundo a investigação, Helena e o namorado saíram juntos no dia 22 de setembro, uma sexta-feira. O corpo dela foi encontrado em um canavial na Estrada do Tijuco Preto, em Caçapava, no início da tarde do sábado (23).
Após o crime, de acordo com a polícia, foram feitos saques nas contas de Helena. O valor não foi informado. De acordo com a investigação, há provas 'robustas' em relação a autoria do crime, que foi registrado como latrocínio (roubo seguido de morte) e ocultação de cadáver.
Os suspeitos foram presos na manhã desta terça-feira (17) no bairro Conjunto 31 de Março, na zona sul de São José, e no bairro Rio Comprido, em Jacareí.
Eles foram levados à delegacia de Caçapava e ouvidos pela equipe do delegado Hugo Pereira de Castro, responsável pela investigação. Eles têm passagens pela criminal -- o namorado tinha dois mandados de prisão abertos por estelionato e o comparsa tem passagens por tráfico de drogas e porte ilegal de arma de fogo.
O CASO.
A professora foi encontrada carbonizada no bairro Tijuco Preto, zona rural de Caçapava, na tarde do dia 23 de setembro, por volta das 13h. A reportagem esteve no local no dia do crime e constatou junto aos peritos que havia sangue fresco, indicando que antes de ser carbonizada, a mulher havia sido assassinada. A perícia suspeita que a vítima também estivesse com as mãos amarradas.
A professora, natural de Três Rios (RJ), era da Escola da Tecelagem e morava na zona norte de São José. O corpo, encontrado carbonizado, foi reconhecido três dias depois. Para a família, a professora era uma "mãe".
"Uma mulher adulta consciente de seus atos, porém muito inocente em suas emoções. Nunca fez mal a um ser de luz. Mais assim fizeram contra ela. Kita, você é muito importante para mim. Sua luz não vai se apagar jamais. Suas semente foram plantadas aqui na terra e estão sendo colhidas. Amor eterno, amor, gratidão por você minha rainha. Do sorriso iluminado", escreveu Daniela, irmã da professora nas redes sociais.
Daniela ainda perde perdão por não ter conseguido proteger a sua 'rainha'. "Kita, desculpa por não ter conseguido te proteger desta vez, minha doce e amada irmã. Estou me sentindo tão pequena diante deste mundo (...) Perdão, porque não fomos capazes de reconhecer o perigo. Por trás da maldade do ser humano", desabafou a irmã da professora.
Nesta terça, após as prisões, a professora agradeceu o empenho da polícia. "Obrigada a toda equipe de investigação de Caçapava. Pelo esforço e desempenho pra achar estes criminosos".