Um trabalhador em São José dos Campos paga R$ 43,18, em média, pelo preço de uma refeição para almoçar fora de casa.
O valor é mais baixo do que a média estadual (R$ 51,49) e a média nacional (R$ 46,60), de acordo com a última pesquisa “Preço Médio da Refeição Fora do Lar”, realizada pela Mosaiclab, empresa de inteligência de mercado do grupo Gouvêa Ecosystem.
Trata-se do mais importante e abrangente levantamento sobre preços de refeições fora de casa e o mais tradicional do país, realizado há mais de 20 anos. O levantamento foi feito no estado e em 14 cidades da região metropolitana e do interior, entre junho e agosto de 2023.
SÃO JOSÉ
Em São José dos Campos, o valor apurado neste ano é 20,6% superior ao registrado no ano passado, considerando-se a categoria de autosserviço, restaurantes a quilo e a la carte.
Com isso, a cidade é a quinta entre 14 cidades paulistas com o maior aumento percentual da refeição fora de casa em 2023 comparado a 2022. As campeãs do reajuste são Jundiaí (44,6%), Osasco (33,7%) e Santos (25,3%).
Quanto ao preço da refeição, São José dos Campos aparece entre as quatro cidades com o menor valor, empatando com Campinas (R$ 43,18) e atrás de São Bernardo do Campo (R$ 40,20) e Ribeirão Preto (R$ 39,18).
Entre as 14 cidades paulistas, as refeições mais caras no estado foram encontradas em Osasco (R$ 60,50), Barueri (R$ 55,71) e Santo André (R$ 54,70).
A média estadual neste ano (R$ 51,49), segundo a pesquisa, ficou 19,7% mais cara do que o valor registrado no ano passado. O preço estadual também está acima do valor pesquisado para a média nacional, que ficou em R$ 46,60 e é 14,7% superior ao registrado em 2022 no país.
PESQUISA
Em todo o Brasil, o número de estabelecimentos comerciais pesquisados foi de 4.516, nos 22 estados e no Distrito Federal.
No total, foram coletados 5.470 preços de pratos no país, em estabelecimentos que servem refeições no horário do almoço, de segunda a sexta-feira.
No ano passado, o levantamento foi feito entre fevereiro e abril de 2022. A pesquisa foi encomendada pela ABBT (Associação Brasileira das Empresas de Benefícios ao Trabalhador).
Para calcular o preço médio a pesquisa considerou uma refeição completa composta por: prato principal, bebida não alcoólica, sobremesa e café. A região Sudeste é a que apresenta o preço médio mais elevado do país: R$ 49,33. A mais barata é a Centro-Oeste, com R$ 41,75.
Três capitais se destacam com os preços mais altos: Florianópolis (R$ 56,11), Rio de Janeiro (R$ 53,90) e São Paulo, com o preço médio de R$ 53,12.
SALÁRIO
De acordo com o IBGE, o salário médio na região Sudeste do país era de R$ 3.299 na data em que a pesquisa foi iniciada, em junho de 2023.
Isso significa que, para se alimentar com uma refeição completa na hora do almoço, o trabalhador da região precisa desembolsar R$ 790,68 mensalmente ou o equivalente a 24% do salário médio. No ano de 2019, antes da pandemia, esse desembolso era menor: 17%.
Uma série de fatores contribuiu para o aumento de preços na pesquisa deste ano, avaliou Ricardo Contrera, sócio-diretor da Mosaiclab, empresa responsável pela pesquisa.
“Os estabelecimentos fazem um grande esforço para não elevar o valor da refeição, para manter e atrair consumidores. Mas sofrem diretamente os impactos dos reajustes dos preços públicos, como combustível e energia elétrica”, disse.
PANDEMIA
Segundo ele, é preciso lembrar que os restaurantes foram os mais penalizados pela pandemia e agora ensaiam uma leve recuperação. Nos últimos meses houve ainda aumentos dos preços da gasolina e do gás de cozinha que subiram cerca de 5% somente em julho. Foram aprovados ainda novos aumentos para a energia elétrica neste ano.
Além disso, o retorno ao trabalho presencial elevou os aluguéis comerciais e os custos para as empresas do setor.
“Na pandemia, boa parte dos estabelecimentos ficaram fechados, atendendo basicamente via delivery. Muitos reduziram seu quadro de pessoal, mas tiveram que arcar com novos custos e as altas taxas de entrega”, disse Contrera.
“A volta aos escritórios, que envolve a manutenção do espaço físico, também impactou os restaurantes porque envolveu a recontratação de profissionais para o atendimento, lançamentos, inovações e até ações de marketing, que exigiram novos investimentos por parte dos estabelecimentos”, completou o executivo.
NÚMEROS
Também foram pesquisadas as refeições em quatro categorias: a la carte, executivo, autosserviço (a quilo ou buffet com preço fixo) e comercial (prato feito).
Na média do país, os valores encontrados foram de R$ 80,48 (a la carte), R$ 50,51 (executivo), R$ 43,24 (autosserviço) e R$ 34,30 (comercial).
A pesquisa mostrou que o percentual de estabelecimentos que oferecem o sistema de delivery passou de 41%, em 2019, para 60%, em 2022, e caiu para 44% em 2023, pouco acima dos níveis pré-pandemia.
Outra tendência apontada pelo estudo Crest/ Mosaiclab com consumidores de refeições fora do lar é o aumento do consumo nos dias úteis na hora do almoço nos estabelecimentos recuperando o espaço perdido ao longo da pandemia.
Em 2019, por exemplo, 74% dos consumidores realizavam as suas refeições nos estabelecimentos, percentual que caiu para 50% em 2021 na média brasileira e agora começa a se recuperar subindo para 61%.
O resultado da pesquisa comprova ainda a importância da Lei do Programa de Alimentação ao Trabalhador, o PAT, que possibilita ao trabalhador brasileiro o recebimento dos vouchers no formato de vale-refeição e vale-alimentação. O PAT é considerado um dos programas sociais mais consolidados do mundo. As empresas que aderem conquistam isenção de encargos sociais.
O objetivo é o de melhorar as condições nutricionais dos trabalhadores, o que repercute de maneira positiva na qualidade de vida, na redução de acidentes de trabalho e no aumento da produtividade. Atualmente, o PAT beneficia quase 25 milhões de trabalhadores de aproximadamente 300 mil empresas.