A Boeing escolheu São José dos Campos para abrir o seu Centro de Engenharia e Tecnologia no Brasil. A cidade abriga unidade da empresa desde 2014, no Parque Tecnológico.
O centro é um dos 15 da companhia espalhados pelo mundo que desenvolvem tecnologia de ponta para impulsionar a inovação aeroespacial. Os cerca de 500 engenheiros da Boeing baseados no Brasil trabalham em várias áreas dando suporte para diversos tipos de aeronaves, atuais e futuras.
"A parceria de longa data da Boeing com o Brasil remonta a mais de 90 anos e, durante esse período, colaboramos com a indústria aeroespacial e a comunidade brasileira para aproveitar as incríveis habilidades técnicas e capacidades de resolução de problemas dos engenheiros brasileiros", disse Lynne Hopper, vice-presidente de Engenharia, Estratégia e Operações da Boeing.
"Sua expertise fortalece nosso compromisso com a excelência em engenharia e nos posiciona para enfrentar os desafios da próxima geração em nossa indústria."
LITÍGIO
A Boeing é alvo de uma ação civil pública movida, desde novembro do ano passado, pela Aiab (Associação das Indústrias Aeroespaciais do Brasil) e pela Abimde (Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança).
As entidades acusam a empresa norte-americana de cooptar engenheiros brasileiros para seus quadros.
Somente a Embraer já teria perdido 120 profissionais para a fabricante, movimento considerado incomum num mercado altamente competitivo e que busca blindar suas equipes técnicas.
“A Embraer tem perdido, em média, cerca de 10 profissionais altamente especializados por mês para a empresa norte-americana. São profissionais com muitos anos de experiência e de substituição impossível”, disseram Julio Shidara e Roberto Gallo, presidentes das entidades.
Procurada por OVALE, a empresa não comentou a ação. “Como empresa global, estamos comprometidos em atrair e desenvolver os melhores talentos nos Estados Unidos e em todo o mundo para atender à demanda global por nossos produtos e serviços aeroespaciais”, informou a companhia.
INVESTIMENTOS
Durante o evento de inauguração em São José dos Campos, na semana passada, a Boeing divulgou uma série de novos investimentos estratégicos no Brasil.
A empresa assinou um Memorando de Entendimento com o governo do estado de São Paulo com foco no desenvolvimento tecnológico aeroespacial. Entre os principais objetivos, estão o de desenvolver a capacitação em engenharia aeroespacial, incluindo na educação voltada à ciência, tecnologia, engenharia e matemática; promover uma agenda conjunta de industrialização e inovação; e aprimorar e fortalecer o fluxo de talentos em todo o ecossistema aeroespacial, com foco específico no aumento da diversidade.
“São Paulo tem todas as condições de fortalecer o desenvolvimento tecnológico aeroespacial, importante segmento que movimenta a economia paulista. Com isso, queremos gerar mais emprego e renda para nosso estado, um dos principais propósitos da parceria com a iniciativa privada, diretriz do governador Tarcísio de Freitas”, disse Jorge Lima, secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo.
Juntamente com a Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), a Boeing anunciou um financiamento de projeto de sustentabilidade que estende a parceria para desenvolver a terceira fase do banco de dados SAFMaps que permite entender a viabilidade dos insumos mais promissores para produção de combustíveis sustentáveis de aviação (SAF, na siga em inglês) em áreas específicas no Brasil.
“Apoiado pela Boeing, o desenvolvimento do SAFMaps como uma inovadora plataforma web da Unicamp está focado em ajudar a acelerar a produção de SAF no Brasil. O projeto, liderado pela universidade, inclui atualmente 13 estados brasileiros com maior potencial de produção de biomassa. Integra também informações essenciais sobre potenciais matérias-primas, alinhando-se assim às regulamentações internacionais que visam reduzir as emissões de gases de efeito estufa com o objetivo de alcançar uma aviação ainda mais sustentável”, disse Arnaldo Walter, professor de Engenharia Mecânica e líder do projeto.
ESTÁGIO
A Boeing também anunciou o primeiro programa de estágio da empresa no Brasil, voltado para estudantes do último ano de engenharia. Os estagiários aplicarão conhecimentos por meio de projetos em um ambiente global e multicultural, com orientação de profissionais experientes. A iniciativa está alinhada com a estratégia global da empresa de contribuir para a excelência em engenharia nos países onde atua.
“Queremos oferecer o melhor programa de estágio do Brasil para estudantes que desejem construir uma carreira sólida e de destaque na indústria aeroespacial. O Brasil tem um rico histórico na aviação, contando com universidades que são referência no setor de engenharia”, afirmou Humberto Pereira, diretor do Centro de Engenharia e Tecnologia.
A Boeing informou que, ao longo dos anos, tem colaborado com o fortalecimento do ecossistema aeroespacial do Brasil em várias frentes, como a obtenção de mais de 30 patentes através da equipe do Centro de Pesquisa da Boeing desde sua instalação no país em 2012.
INVESTIMENTOS
A empresa também investiu mais de US$ 5 milhões em parcerias com instituições voltadas ao ensino de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática, impactando cinco milhões de estudantes e treinando milhares de professores.
Na área de sustentabilidade, a Boeing trabalha há mais de dez anos em colaboração com universidades, instituições públicas e organizações não-governamentais para viabilizar a descarbonização do setor aeroespacial.
Esse trabalho tem foco especial em combustíveis sustentáveis de aviação, reconhecendo o papel pioneiro e expertise do país em biocombustíveis.
A empresa também investiu US$ 2 milhões em iniciativas que maximizam benefícios sociais, econômicos e ambientais para as comunidades envolvidas no desenvolvimento de matérias-primas para produzir combustíveis sustentáveis de aviação.
“Nossos investimentos no Brasil são amplos e refletem o fato de que a Boeing considera o país um parceiro estratégico para solucionar alguns dos maiores desafios da indústria aeroespacial do mundo”, disse Landon Loomis, presidente para América Latina e Caribe e Vice-Presidente de Políticas Globais da Boeing.
“Ao expandir nossa colaboração com o Brasil, o país também poderá desempenhar um papel ainda mais relevante no atendimento à demanda global por aviões nos próximos 20 anos, que estimamos ser de US$ 8 trilhões.”